segunda-feira, 27 de maio de 2013



Ensino Militar em Moçambique






 sobre o autor 















Osvaldo Francisco de carvalho Choé, natural da cidade de Quelimane província da Zambézia, nacionalidade Moçambicana. Tem formações em Elaboração, gestão avaliação e monitoria de projectos de Desenvolvimento, associativismo juvenil, Hiv-sida. Licenciado em ciências Militares pela Academia Militar Marechal Samora Machel, Mestrando no curso Educação/formação de formadores na Universidade Pedagógica Delegação da Beira. Actualmente é oficial das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.



  Docentes:                                  
                                                             Prof. Doutora Hildizina Norberto Dias
                                                 Prof. Doutor Ângelo José Muria




Abreviaturas

AM                 Academia Militar
ESFA              Escola de Sargentos das Forças Armadas
FA                   Forças Armadas
PEA                Processo de Ensino-aprendizagem
FADM                        Forças Armadas de Defesa de Moçambique
PILAV           Pilotos Aviadores
CFM               Caminhos de Ferros de Moçambique            
INDE              Instituto Nacional do Desenvolvimento da Educação
 UP                   Universidade Pedagógica                                                     

                                                                             
                                                    

Resumo


O presente ensaio tem como tema “Ensino militar em Moçambique” e Constituiu o problema do ensaio o seguinte: Quais habilidades desenvolvidas nas instituições de ensino militares que depois servem para a vida civil? A motivação do ensaio deve-se ao facto do autor ser formados numa das instituições de ensino militar em Moçambique e pertecer ao quadro permante das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, razão pela qual pretendia-se essencialmente: Analisar as particularidades do currículo do ensino militar em Moçambique, a influência no comportamento dos militares em relação a sociedade civil. Foi usado método Indutivo e pesquisa Bibliográfica. Da análise dos resultados constatou-se a uma necessidade de se formular um currículo com vista a profissionalizar a formação militar, também como forma de descongestionar as enchentes no em ensino geral, técnico, centro de formação profissional e universidades em Moçambique.
Palavras-chave: Formação Profissional, Formação Militar, Currículo, Habilidades


 Summary

This essay is themed "Military Education in Mozambique" and constituted the problem of testing the following: What skills developed in educational institutions which then serve military to civilian life? The motivation of the test due to the fact that the author be formed in one of the military educational institutions in Mozambique and Standings pertecer the framework of the Armed Forces for the Defense of Mozambique, which is why it was intended mainly: To analyze the particularities of the curriculum of military in Mozambique, the influence on the behavior of the military in relation to civil society. Inductive method was used and bibliographic research. Analysis of the results it was found a need to formulate a curriculum to professionalize the military training, also as a way to relieve flooding in the general education, technical, vocational training center and universities in Mozambique.

Keywords: Training, Military Training, Curriculum, Skills


Introdução

O ensaio em que este estudo se integra envolveu o ensino Militar em Moçambique, com objectivo de Analisar as particularidades do currículo do ensino militar em Moçambique, a influência no comportamento dos militares em relação a sociedade civil, e o mesmo surge na cadeira de Teorias de Currículo. Pretende-se com este ensaio saber quais habilidades desenvolvidas nas instituições de ensino militares que depois servem para a vida civil.  

O ensaio está organizado da seguinte forma: Introdução onde faz-se uma abordagem geral sobre o conteúdo do ensaio, procedimentos metodológicos, os objectivos, motivações, hipóteses, método cientifico e o tipo da pesquisa. O desenvolvimento do ensaio onde se fez uma análise sobre o processo de formação ate a profissionalização no geral e em particular das forças armadas de Defesa de Moçambique, ainda neste ponto de análise e reflexão abordou-se a questão do plano curricular do ensino superior militar dando mais enfoque o da Academia Militar e do nível médio, a Escola de Sargento para as forças armadas, também fez-se uma reflexão exaustiva sobre as habilidades desenvolvidas pelos militares formados pelo currículo militar. Depois seguiu a conclusão e as referências bibliográficas.


1.      Metodologias

Neste ensaio as metodologias devem ser entendidas como “ (…) conjunto detalhado e sequencial de métodos e técnicas científicas a serem executados ao longo da pesquisa, de tal modo que se consiga atingir os objectivos inicialmente propostos (… )”.  IVALA et al (2007:26).

1.1. Objectivos
Pretende-se essencialmente: Analisar as particularidades do currículo do ensino militar em Moçambique, a influência no comportamento dos militares em relação a sociedade civil. Para concretização do pretendido foi necessário: Descrever o plano curricular de formação dos militares do nível médio e superior; Identificar as habilidades desenvolvidas durante a formação que servem para a sociedade civil e Propor medidas que reforcem a formação das habilidades para a vida dos militares na sociedade.

1.2. Procedimentos metodológicos
O método usado para o ensaio foi Indutivo onde as constatações particulares do currículo da AM e ESFA, chegou-se a generalizar todo o processo de ensino e aprendizagem militar em Moçambique.

Usou-se pesquisa Bibliográfica que de acordo com Pinto (2010:10), esta pesquisa é elaborada a partir de material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos periódicos e actualmente com material disponibilizado na Internet.

Neste caso o ensaio baseou se em regulamentos das instituições de ensino militar nomeadamente AM e ESFA, estatuto das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, planos curriculares de outros subsistemas de educação e varias obras que tratam sobre o assunto em análise.

 1.3. Problematização
A Defesa da Nação é uma actividade desenvolvida pelos cidadãos, e visa assegurar a independência e a unidade nacional, preservar a soberania, a integridade, a inviolabilidade do país, garantir o funcionamento normal das instituições e a segurança dos cidadãos contra qualquer ameaça ou agressão armada, (artigo 7 do conceito Estratégico de Defesa Nacional)[1].

No artigo 8, do mesmo documento acima referenciado, estabelece que a componente militar da defesa nacional é a assegurada pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Sendo Forças Armadas uma organização que tem como missão garantir a integridade territorial do Estado, esta também participa no desenvolvimento económico, social e cultural do país assim como os profissionais da carreira das armas.

Nesse contexto, surge a necessidade de formar profissionalmente os seus quadros, razão pela qual começa a surgir instituições de ensino militar com objectivo de formar seu pessoal do quadro permanente e equipa-los de conhecimentos sólidos para fazer face ao dinamismo da ciência militar e outras área do saber. Neste âmbito o conhecimento militar passou a ser um dos inputs[2] essenciais relativamente às novas concepções de aprendizagem organizacional.

Uma vez que as Forças Armadas em tempo de paz têm a missão de participar directamente no desenvolvimento dos pais surge a seguinte questão: Quais habilidades desenvolvidas nas instituições de ensino militares que depois servem para a vida civil?

1.4. Motivação  do tema

A motivação do ensaio deve-se ao facto do autor ser formados numa das instituições de ensino militar em Moçambique e pertencer ao quadro permante das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e achar que tem dado um contributo não só na componente militar mais também no desenvolvimento da sociedade civil em que se encontra inserido, ainda mais o tema  aborda um assunto que preocupa quase a todos envolvidos na qualidade de formação dos profissionais da carreira das armas e  coloca  à superfície  um instrumento de avaliação do contributo dos militares na sociedade.

Ao se formar como militar é um desafio forte na área do saber fazer e saber estar quer no meio militar assim como civil, assuntos que pelo entender do autor  naquela época de formação estava deslocado dos objectivos do curso, especificamente na área da ciências sociais, agropecuária, pedagogia de educação física e outras áreas de saber diferentes das áreas militares, mais na prática todos esses assuntos faziam parte da formação extra-curricular que noutros subsistemas de educação são abordados como assuntos transversais.

Por esta razão o trabalho do autor de Licenciatura em ciências militares orientou-se para a pesquisa sobre o contributo dos formandos na academia no processo de ensino e aprendizagem: caso da Escola de Formação de Sargentos em Boane, província de Maputo, uma vez sabendo qual o contributo desses profissionais das armas ai suscitou o interesse de saber quais as habilidades adquiridas que estes possam servir na vida civil, uma vez que se encontram inseridos na sociedade cível.

 1.5. Hipótese  

As áreas técnicas de índole estritamente académicas  nos planos curriculares do ensino militar contribui para o desenvolvimento de habilidades que podem ser usadas na vida civil.

 2.      Formação Militar
Ceitil[3] (2002) apud Martins (2004:247), indica que compete à formação dar corpo a uma política que deve responder a um duplo objectivo:
  • ·         Permitir adaptar os recursos humanos às mudanças estruturais e às modificações das condições de trabalho, resultantes da evolução tecnológica e da evolução do contexto económico;
  • ·         Permitir determinar e assumir as inovações e alterações a realizar para assegurar o desenvolvimento da empresa.


Numa perspectiva estratégica, considera este autor que a formação profissional se destina para fornecer à empresa as competências necessárias ao seu desenvolvimento e ao seu progresso, articulando as necessidades individuais de formação com as necessidades em competências principais, garantindo, assim, o sucesso nas empresas no futuro.

No Guião do estudante Assistência e Formação para operações de contingência em África, ACOTA (2009:1-1), afirma-se que o principal objectivo do estabelecimento de formação militar é providenciar às forças operacionais, pessoal treinado que possa manter um alto nível de prontidão. Para tal essa formação militar deve alcançar pelo menos três objectivos:

  • Desenvolver conhecimentos, capacidades e atitudes;
  •  Produzir alterações de comportamentos;
  • Atingir objectivos específicos.

Ainda segundo este guião o foco da formação militar consiste em preparar indivíduos para desempenhar os deveres do trabalho para qual foram nomeados. O seu desafio consiste em ajudar outros a aprender a realidade do terreno. Essa componente de ajudar o outro o aprender também é vivida na sociedade uma vez que nem todos têm a oportunidade de formação e essa particularidade é bem notório no seu militar.

Apoiando-se ao Levieque (2007:95), a formação militar deve ser vista como processo de transmissão de conhecimentos, hábitos, habilidades e valores com vista a elevar a qualificação do indivíduo que abraça a carreira militar.

   2.1. Profissionalização das Forças Armadas de defesa de Moçambique

A Defesa da Nação é uma actividade desenvolvida pelos cidadãos, e visa assegurar a independência e a unidade nacional, preservar a soberania, a integridade e a inviolabilidade do país e garantir o funcionamento normal das instituições e a segurança dos cidadãos contra qualquer ameaça ou agressão armada, (artigo 7 do conceito Estratégico de Defesa Nacional)[4].

No artigo 8, do mesmo documento acima referenciado, estabelece-se: a componente militar da defesa nacional que é a assegurada pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Sendo Forças Armadas uma organização que tem como missão garantir a integridade territorial do Estado, esta também participa no desenvolvimento económico, social do país.

Neste contexto a política de formação segundo Domingues (2003:396), deverá ter como preocupação, a consolidação das aprendizagens, ao mesmo tempo, deverá acompanhar as mudanças previsíveis do desenvolvimento tecnológico.  

De referir que a principal razão pela qual as organizações formam o seu pessoal, prende-se com uma tentativa de eliminar ou antecipar as deficiências no desempenho organizacional devido aos elevados níveis de desenvolvimento tecnológico que o mundo assiste.

De acordo com Levieque (2007:92), o diagnóstico de necessidade de formação é um processo que visa identificar as carências de formação dos colaboradores, face as competências requeridas as estratégias da empresa e as exigências do posto de trabalho.

Do ponto de vista da gestão eficiente dos RH, Ferreira (1986:172), diz que não basta facultar ao homem, apenas os recursos e meios materiais que lhe possibilitem a realização do trabalho. É preciso, também que se cuide de sua preparação, de seu adestramento para que a eficiência seja alcançada.

Baseando-se nestas teorias, é de afirmar que a formação profissional das FA visa a aquisição de conhecimentos, capacidades, atitudes e formas de comportamento exigidos para o desempenho das funções militares assim como em qualquer ramo área do saber uma fez que em tempo de paz as FADM desenvolvem actividades de índole social.

Para Torquato (2002:06), o profissional deve possuir conhecimentos específicos, estando potencialmente capacitado para estabelecer abordagens abrangentes da sociedade e da empresa.
Daí que a profissionalização das FADM também deve reflectir no aumento da qualificação requerida aos indivíduos em termos de conhecimentos técnicos, científicos, habilidades, que visam a melhoria de prestação de serviços assim como o cumprimento das ordens.

Awortwi (2007:25), nos seus estudos indicou que a formação dos RH em Moçambique, constitui apenas um fenómeno recente e terá ainda que atingir os seus objectivos a um nível significativo. Ainda o mesmo autor acrescenta que, dentro do mesmo contexto, estas observações, indica que embora a estratégia global pareça ter claramente articulado as intervenções críticas na área, não haverá nenhuma modernização do estado sem um programa determinado e sustentável de formação dos funcionários públicos.

É claro que de acordo com as abordagens feitas por vários autores, em prol da profissionalização, as FADM devem a postar na formação dos seus quadros permanentes para permitir que estas participem claramente na segurança da defesa nacional e no desenvolvimento das habilidades que esses profissionais possam aplicar na vida civil, bem como na modernização do país, ligando os interesses e as necessidades dos militantes das FADM aos objectivos do governo e da sociedade em geral.

  3.      Ensino Militar em Moçambique
O ensino militar em Moçambique assim como sua estrutura curricular são orientados pelo Ministério de Educação a partir dos Diplomas Ministeriais o decreto nº 62/2003 de 24 de Dezembro e o decreto nº 68/2008 de 30 de Junho.

O Diploma Ministerial nº 62/2003 de 24 de Dezembro, estabelece a criação da Academia Militar, como um estabelecimento militar de ensino superior das FADM, com objectivo de desenvolver actividades de ensino, de investigação e de apoio a comunidade e o nº 68/2008 de 30 de Junho, estabelece a criação da Escola de Sargentos das Forças Armadas como um estabelecimento militar de ensino médio das Forças Armada.

As instituições de ensino militar em Moçambique proporcionam aos formandos uma preparação sólida de base de nível básico, médio e superior em moldes idênticos aos dos institutos de formação técnico profissional médio e universidades.

   3.1. Plano curricular das instituições de Ensino Militar em Moçambique
“A construção de um currículo é um processo dinâmico que se deve ajustar às contínuas transformações da sociedade”, (INDE:2003).

As escolas de ensino militar também faz um a acompanhamento sobre o dinamismo, uma vez que anteriormente só se forma oficial para a guerra, os hospitais militares so estava centrada para atender os feridos de guerra, as escolas militares só frequentavam estudantes militares, face ao actual cenário tudo isso devido ao acompanhamento dinâmico hoje todo plano curricular já vem associado a questão da transversalidade e a relação com a sociedade onde sai esse oficial (currículo local).

3.1.1.      Plano curricular do Ensino Superior
Como qualquer instituição de ensino superior, para além do programa nacional de educação tem um plano curricular que traduz suas aspirações com vista a alcançar os plasmados no programa nacional de educação para aquele nível. Para o caso das instituições militares esses planos curriculares são designados por regulamentos.

A alínea a) do nº 2 do artigo 6 do Regulamento da AM advoga que os cursos de formação de oficiais (CFO), conferem o grau de Licenciatura em Ciências Militares em diversas especialidades (cursos).
O ensino ministrado na instituição de ensino superior militar tem um carácter objectivo e dinâmico, visando a formação global e integral dos estudantes como chefes militares e como cidadãos, definidas no estatuto da AM. (nº 1, artigo 58, decreto nº 62/03 de Dezembro, Regulamento da AM). E abrange quatro áreas muito essenciais do saber:

   3.1.1.1.Formação científica geral
A formação científica geral deverá ser ministrada nos primeiros anos dos CFO, servindo de suporte quer ao desenvolvimento e compreensão das matérias de cada curso, quer futuramente, á aquisição de novos conhecimentos decorrentes da acelerada evolução do conhecimento, numa perspectiva de valorização profissional permanente, como condição de acesso aos sucessivos níveis da hierarquia, (nº 1 artigo 59, decreto nº 62/03, de 24 de Dezembro, Regulamento da AM).

A formação científica de base geral recebida, durante a formação na AM, visa proporcionar aos oficiais formados, os conhecimentos e a dinâmica intelectual essenciais ao permanente acompanhamento da evolução do saber quer na área militar assim como na área social. Também são incluídos programas de prestação de serviços à comunidade e de colaboração em actividades de natureza científica e cultural.

Durante essa fase da formação científica geral os formandos são dotados de conhecimentos extra curriculares com finalidade de proporcionar um desenvolvimento integral e harmonioso da personalidade, padrões aceitáveis de comportamento: lealdade, respeito, disciplina e responsabilidade no cumprimento das missões a que for atribuída.

  3.1.1.2.Formação científica de índole técnica
Segundo o nº 1 do artigo 60, do Regulamento da AM, esta formação deve merecer a melhor atenção no contexto geral da formação dos futuros oficiais dos quadros permanentes, face ao desafio das novas tecnologias e do extraordinário tecnicismo do armamento e dos métodos de guerra, destinando-se a satisfazer as qualificações profissionais indispensáveis aos exercícios de funções técnicas, no âmbito de cada uma das especialidades das FADM,

Esta formação é indispensável aos oficiais dos quadros permanentes das FADM para o desempenho das funções técnicas e possível contribuição para o desenvolvimento científico da prática militar, com vista a satisfazer as qualificações profissionais indispensáveis ao desempenho das funções.

Como qualquer plano curricular para além das cadeiras do curso também consta as cadeiras ligadas aos cursos das quais são de carácter obrigatório e tem um crédito muito fundamental, também esta particularidade são verificadas nas instituições de ensino militar.

 3.1.1.3. Formação comportamental
A formação dos alunos, na área das ciências do comportamento, deverá constituir preocupação fundamental e objectiva na compreensão dos valores culturais patrióticos que consubstanciam a instituição militar, atento às tradições das FADM e a identificação com o sentimento profundo da defesa nacional, (nº 1, artigo 61, Regulamento da AM).

Esta formação comportamental é abordada em forma de temas transversais e algumas como cadeiras devido a sua complexidade e são responsáveis pela educação cívica e moral. Tem objectivo de desenvolver aos oficiais em formação os atributos de carácter, alto sentido do dever patriótico, honra e lealdade, culto da ordem e da disciplina e as qualidades de comando e chefia inerentes à condição militar e não só também a componente inserção na comunidade uma vez que o mesmo formando saiu da comunidade e da comunidade voltara.

  3.1.1.4. Formação física e adestramento militar
Preparação física e adestramento militar, visam conferir aos estudantes a aptidão física e o treino indispensáveis ao cumprimento das suas futuras missões, (nº 1, artigo 62, decreto nº 62/03, de 24 de Dezembro, Regulamento da AM).

A formação física e adestramento militar está em prol do vigor físico devido as atribuições que o militar desempenha, não só por circunstância de conflitos, para os quais deve manter-se sempre preparado, mas também em tempo de paz, exige-se um elevado nível de saúde física e mental.

A Educação Física é considerada como "um elemento essencial para a formação geral do Homem", VAGO (1993:213).

A valorização da preparação física ou prática sistematizada de exercícios físicos, começa com os militares com finalidade de manter a operacionalidade do combatente e pela convicção que era de extrema importância na disciplina da tropa. Esta formação física nas instituições de ensino militar é contínua e ininterrupta. 

Nas instituições de ensino militar para além das aulas práticas constantes das especialidades (cursos), os seus planos engloba estágios.
“O estágio é um campo de conhecimento que se concretiza na interacção professor-aluno, e que tem por objectivo inserir os alunos no campo de trabalho, configurando uma porta de entrada a este por meio da especialização e treinamento nas rotinas quotidianas”. Pimenta & Lima (2004:25)

Os estágios são de duração variável em conformidade com os cursos. Com finalidades de proporcionar aos alunos habilidades para aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos assim como habilidades que podem servir para a vida civil. Talvez a única diferença esta no nome enquanto as instituições civis designam de estágios nos designamos por tirocino.

Estes estágios não são só feitos nas unidades militares ou escolas práticas, também em coordenação com outras instituições quer de ensino ou não, por exemplo os engenheiros para além de terem aulas na faculdade de engenharia da universidade da Eduardo Mondlane, tem tido estágios nas CFM, obras públicas, o mesmo acontece para os médicos, administradores militares, marinheiros pilotos e outras especialidades que tem uma ligação directa com a sociedade civil.

  3.1.2.      Plano curricular do ensino Médio
O plano curricular do ensino médio militar orienta-se como outros currículos do ensino médio profissional pelos princípios gerais e pedagógicos definidos nos artigos 1 e 2 da Lei nº 6/92, de 6 de Maio, que aprova o sistema Nacional de Educação. Para os graduados são conferidos certificados de habilitações literárias de nível médio que pode ser aproveitado para fins públicos.

A orientação do ensino Médio não foge muito do ensino superior, a diferença esta na carga horária, o tempo de formação (ensino superior são 5 anos e o médio são 3 anos ambos incluindo estágios). As áreas de ensino são as mesmas (formação técnica e tecnológica, Formação comportamental e preparação física e adestramento militar) mais ministradas ao nível médio.

Para os alunos do último ano o plano curricular engloba também estágios de duração variáveis, com finalidades de proporcionar aos alunos habilidades para aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos.

   3.2. Habilidades desenvolvidas na formação Militar que servem para a vida civil

 3.2.1.      Argumentos
É sabido por todos nós que os militares foram os pioneiros a incluir em seus programas de formação disciplinas ligadas a educação patriótica que actualmente são abordados como temas transversais e algumas como disciplinas de ensino, como exemplo a educação moral e cívica e educação física, tendo por isso grande influência na organização e no desenvolvimento curricular de sistema de educação.

No desenvolvimento das habilidades adquiridas durante a formação militar, estas são desenvolvidas quase em todas as áreas do saber tal que se dá o caso da história militar como campo de especialização académica, onde esta foi se alterando constantemente ao longo dos anos ate chegar a ser vista como temas transversais, disciplina e cursos especializados.

“A matéria da história não é caracterizada apenas pelo fato de ser uma especialização académica com seus métodos particulares, mas também por estar ligada à vida pública em geral” (BLANKE, 2006:51).

O desenvolvimento da história militar como disciplina partiu de uma análise que se caracterizava pela preocupação com as unidades militares, os combates, suas estratégias e tácticas no teatro das operações eram levadas ao cabo, enquanto considerações sobre a forma como a guerra influenciava as estruturas institucionais, sociais e económicas do período eram negligenciadas, (PARET, 1993:210)[5].

Huntington (1996:82) diz que a história militar é o meio que acumula experiências numa visão militar, onde o homem só aprende pela experiência acumuladas. Se tem pouca oportunidade de aprender pela própria experiência terá então de aprender pela experiência dos outros.

Os historiadores comungam a ideia que os militares foram os precursores a incluir em seus programas de formação disciplinas ligadas a prática de exercícios físicos, tendo por isso grande influência na organização e no desenvolvimento do plano curricular a disciplina de Educação Física nas escolas.

Com as habilidades desenvolvidas em história uma parte de professores que assegurou a disciplina de história em vários subsistemas de ensino em Moçambique até a formação de professores de história fora os militares, um dos casos vividos pelo autor foi o da UP-Delegação de Nampula onde uma parte de docentes é militares.

A prática da educação, ordem unida e preparação combativa no seio dos militares veio dar a valorização da prática sistematizada de exercícios físicos nas escolas públicas ou melhor nos estabelecimentos de ensino, com a finalidade de proporcionar aos alunos uma manutenção saudável do corpo e disciplina.

A influência destas práticas de exercícios físicos estendeu-se até ao sistema de educação com objectivo de preparar o aluno fisicamente, uma vez que, esta prática faz uma ligação entre a prática de actividades físicas e visões ligadas a civismo, patriotismo e corpo saudável. Neste contexto surgem militares a desempenharem funções de professores de educação física e desporto.

Na área de aviação com a introdução dos cursos de Pilotos aviadores em Moçambique (PILAV), verificou-se um aumento do número de pilotos nacionais e uma redução visível das dependências dos Pilotos estrangeiros, o mesmo acontece com os Marinheiros (Navegadores) agora os navios que entram no pais são acompanhados e controlados pelos navegadores nacionais.

Na área da medicina já fica bem visível o uso das habilidades desenvolvidas durante a formação dos médicos militares, deixando de lado a componente profissional, este profissionais de saúde militar desenvolvem uma outra particularidade que é o patriotismo e o espírito de corpo, assistiu-se o patriotismo e amor ao próximo como fruto das habilidades desenvolvidas pelo currículo de ensino militar quando houve greve dos médicos em 2013, onde os médicos civis paralisaram as actividades e o governo usou os médicos militares para assegurarem os serviços de saúde.

Os formados nas áreas da Engenharia Militar, Medicina Militar e Administração Militar têm a possibilidade de ingresso directo nas respectivas ordens profissionais: Engenheiros, Médicos e os da Administração podem fazer auditorias em sectores civis ou privados.

3.2.2.       Contra argumentos
Como vimos as habilidades desenvolvidas na formação militar tem um papel fundamental no contributo da sociedade civil sem contar com a própria missão dos militares, mais essas habilidades não são considerados ou mesmo valorizados por parte das entidades de tutela, aliados a essa desconsideração faz com que esses profissionais só se agarrem nas funções que lhes diz respeito.  

Um dos caso vivido recentemente quando os médicos civis paralisaram as actividades foi recorrido os médicos militares, mais durante as discussões esses oficiais foram deixados de lado talvez alegando que são militares, quando o pais é a solado pelas catástrofes naturais ai vai se levar o militar para dar seu contributo, depois ninguém diz algo encorajador com vista a motiva-los.

A outra grande objecção é mesmo com Engenheiro Militar formado quer dentro ou fora do país ainda continua-se a contratar engenheiros civis para construções, reabilitações dos quartéis, dai também mesmo dentro dos militares existe uma exclusão que contribui negativamente para o desenvolvimento das habilidades adquiridas durante a formação. 

Por mais que se dê uma grande observação nas áreas técnicas de índole estritamente académicas nos planos curriculares do ensino militar em Moçambique, as habilidades desenvolvidas pelos formados podem não ser bem a aproveitadas.

Acha-se que os militares em Moçambique por mais que tenham uma formação superior com padrões idênticos das outras instituições, este continuara a ser excluído da sociedade. A falta de motivação e consideração faz com que esses profissionais não transmitam ou contribuam para o desenvolvimento do país.    

Fazendo uma análise, a probabilidade de haver resistências de alguns intelectuais Moçambicanos que não desejam a formação militar ou a carreira militar como uma profissão é muito provável, que segundo estes, "não necessitava de formação de militares ou continuação dos militares uma vez que a guerra acabou".


4.      Considerações finais  
Procuramos, no presente ensaio, fazer uma revisão das principais interpretações sobre as formas de inserção dos militares na sociedade civil, onde se analisou as particularidades do plano curricular presente na formação dos militares, sua influência no comportamento em relação a sociedade civil, tudo isso com intuito de saber as habilidades desenvolvidas nas instituições de ensino militares que depois servem para a vida civil.

Notou-se que existe uma extrema importância na profissionalização e socialização dos militares militares. Aliados a isso há o reconhecimento por parte de vários autores da existência e importância da formação militar dentro dum determinado pais.

Encontramos elementos fundamentais da formação que fazem com que os formados nas instituições militares contribuam para o desenvolvimento da sociedade civil. Processo de formação do militar em Moçambique, exercem ponderável influência sobre a carreira dos mesmos e seus posicionamentos em relação à sociedade civil.

No entanto, constatou-se que há ainda bastante espaço para o desenvolvimento de pesquisas mais aprofundadas sobre as instituições militares, estrutura dos planos curriculares, habilidades desenvolvidas durante a formação dos militares.

 E por fim o autor sugere que se abraçasse a carreira das armadas como uma profissão com o objectivo de descongestionar as enchentes das escolas, centro de formação profissional e universidades em Moçambique e educação do desemprego.

 Bibliografia
                                 
Amanda Pinheiro Mancuso (Doutora pelo PPGCSo da UFSCar, Pesquisadora associada do
Arquivo de História Militar Ana Lagôa e docente do IPESU), 2008.
AWORTWI, Nicholas e SITOE, Eduardo. Perspectivas africanas sobre a nova gestão pública: Implicações para a formação de recursos humanos. Edição portuguesa. Maputo, 2007.
BLANKE, Horst Walter. “Para uma nova história da historiografia”. In: MALERBA, Jurandir
BOLETIM DA REPÚBLICA, Politica de Defesa e Segurança, lei 17/97 de 1 de Outubro
DOMINGUES, L. H– A Gestão de Recursos Humanos e o Desenvolvimento Social das Empresas, ISCSP-U.T.L .Lisboa, 2003
ESTATUTO DA ACADEMIA MILITAR, decreto n 62/03 de 24 de Dezembro.
ESTATUTO DAS FORÇAS ARMADAS, Decreto nº 46/06, de 30 de Dezembro
Guião do Estudante Assistência e Formação para Operações de Contingência em África (ACOTA). Apresentado por Northrop Grumman Maputo Agosto 2009.
HUNTINGTON, Samuel P. O Soldado e o Estado: teoria e política das relações entre civis e militares. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército: 1996.

INDE/MINED. Plano Curricular do Ensino Básico: Objectivos, Política, estrutura, Plano de Estudos e estratégias de implementação. Maputo, INDE/MINED, 2003.

IVALA, Adelino Zacarias, HDEZ, Martiná & LUIS, Albertino. Orientação para Elaboração de Projectos e monografias Cientificas. 1ª Ed. Nampula, Universidade pedagógica. 2007.
JANOWITZ, Morris. O soldado profissional: estudo social e político. Rio de Janeiro: Edições GRD, 1967.

LEVIEQUE, Agostinho. Gerir Recursos Humanos é gerir mudanças. Maputo: Editora Ndjira, 2007.
MARTINS, Dora Cristina Moreira, Práticas de Gestão de Recursos Humanos em Empresas de Média Dimensão, tese de Mestrado em Desenvolvimento e Inserção Social, Faculdade de Economia Universidade do Porto. 2004.

PARET, Peter. “The history of war and the new military history”. In: Understanding war: essays on Clausewitz and the History of military power. Princeton, 1993.  (org). A história escrita: teoria e história da historiografia. São Paulo: Contexto, 2006.

PIMENTA, Selma Garrido e LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e Docência. São Paulo, Cortez Editora, 2004.

PIMENTA, Selma Garrido; ANASTASIOU, Lea das Graças Camargos. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2002.

PINTO, Anna Florência de Carvalho Martins, METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: planejamento, estrutura e apresentação de trabalhos académicos, segundo as normas da ABNT. S/ed, Belo Horizonte. 2010.

REGULAMENTO DA ACADEMIA MILITAR, decreto nº 62/03 de Dezembro.
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SILVA, Edna Lúcia e MENEZES, Estera Muszkat, Metodologia da Pesquisa e Elaboração de Dissertação. 3ª Edição. Editora Florianópolis. São Paulo. 2001.
VAGO, T. Das escrituras à escola pública: a educação física nas séries iniciais. Belo Horizonte: UFMG, 1993.



[1] Resolução n 42/2006 de 26 de Dezembro
[2] Entradas
[3] Ceitil, M. (2002) – “O Papel da Formação no Desenvolvimento de Novas Competências”, in Caetano, A. e Vala, J. (organizadores), Gestão de Recursos Humanos. Contextos, processos e técnicas, Lisboa, RH Editora, 2ª Ed., pp.327-355.
[4] Resolução n 42/2006 de 26 de Dezembro
[5] Amanda Pinheiro Mancuso (Doutora pelo PPGCSo da UFSCar, Pesquisadora associada do Arquivo de História Militar Ana Lagôa e docente do IPESU)

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