Ensino Militar em Moçambique
sobre o autor
Osvaldo Francisco de carvalho Choé, natural da cidade de Quelimane província da Zambézia, nacionalidade Moçambicana. Tem formações em Elaboração, gestão avaliação e monitoria de projectos de Desenvolvimento, associativismo juvenil, Hiv-sida. Licenciado em ciências Militares pela Academia Militar Marechal Samora Machel, Mestrando no curso Educação/formação de formadores na Universidade Pedagógica Delegação da Beira. Actualmente é oficial das Forças Armadas de Defesa de Moçambique.
Docentes:
Prof. Doutora Hildizina Norberto Dias
Prof. Doutor Ângelo José Muria
Abreviaturas
AM Academia Militar
ESFA Escola de Sargentos das Forças Armadas
FA Forças Armadas
PEA Processo de Ensino-aprendizagem
FADM Forças Armadas de Defesa de Moçambique
PILAV Pilotos Aviadores
CFM Caminhos de Ferros de Moçambique
INDE Instituto Nacional do Desenvolvimento da Educação
UP Universidade Pedagógica
Resumo
O
presente ensaio tem como tema “Ensino militar em Moçambique” e Constituiu o
problema do ensaio o seguinte: Quais
habilidades desenvolvidas nas instituições de ensino militares que depois
servem para a vida civil? A motivação do ensaio deve-se ao facto do autor
ser formados numa das instituições de ensino militar em Moçambique e pertecer
ao quadro permante das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, razão pela qual
pretendia-se
essencialmente: Analisar as particularidades do
currículo do ensino militar em Moçambique, a influência no comportamento dos
militares em relação a sociedade civil. Foi usado método
Indutivo e pesquisa Bibliográfica. Da
análise dos resultados constatou-se a uma necessidade de se formular um
currículo com vista a profissionalizar a formação militar, também como forma
de descongestionar as enchentes no em ensino geral, técnico, centro de formação
profissional e universidades em Moçambique.
Palavras-chave: Formação
Profissional, Formação Militar, Currículo, Habilidades
Summary
This essay is themed "Military Education in Mozambique" and constituted the problem of testing the following: What skills developed in educational institutions which then serve military to civilian life? The motivation of the test due to the fact that the author be formed in one of the military educational institutions in Mozambique and Standings pertecer the framework of the Armed Forces for the Defense of Mozambique, which is why it was intended mainly: To analyze the particularities of the curriculum of military in Mozambique, the influence on the behavior of the military in relation to civil society. Inductive method was used and bibliographic research. Analysis of the results it was found a need to formulate a curriculum to professionalize the military training, also as a way to relieve flooding in the general education, technical, vocational training center and universities in Mozambique.
Keywords: Training, Military Training, Curriculum, Skills
Introdução
O ensaio em que este estudo se integra envolveu o ensino Militar em Moçambique, com
objectivo de Analisar as
particularidades do currículo do ensino militar em Moçambique, a influência no
comportamento dos militares em relação a sociedade civil, e o mesmo surge na cadeira
de Teorias de Currículo. Pretende-se com este ensaio
saber quais habilidades desenvolvidas nas instituições de ensino
militares que depois servem para a vida civil.
O
ensaio está organizado da seguinte forma: Introdução onde faz-se uma abordagem geral
sobre o conteúdo do ensaio, procedimentos metodológicos, os objectivos,
motivações, hipóteses, método cientifico e o tipo da pesquisa. O
desenvolvimento do ensaio onde se fez uma análise sobre o processo de formação
ate a profissionalização no geral e em particular das forças armadas de Defesa
de Moçambique, ainda neste ponto de análise e reflexão abordou-se a questão do
plano curricular do ensino superior militar dando mais enfoque o da Academia Militar
e do nível médio, a Escola de Sargento para as forças armadas, também fez-se uma
reflexão exaustiva sobre as habilidades desenvolvidas pelos militares formados
pelo currículo militar. Depois seguiu a conclusão e as referências
bibliográficas.
1.
Metodologias
Neste
ensaio as metodologias devem ser entendidas como “ (…) conjunto detalhado e sequencial de métodos e técnicas científicas
a serem executados ao longo da pesquisa, de tal modo que se consiga atingir os
objectivos inicialmente propostos (… )”. IVALA et al (2007:26).
1.1.
Objectivos
Pretende-se
essencialmente: Analisar as particularidades do
currículo do ensino militar em Moçambique, a influência no comportamento dos
militares em relação a sociedade civil. Para concretização do pretendido
foi necessário: Descrever o plano curricular de
formação dos militares do nível médio e superior;
Identificar as habilidades desenvolvidas durante a formação que
servem para a sociedade civil e Propor medidas que reforcem a formação das
habilidades para a vida dos militares na sociedade.
1.2.
Procedimentos metodológicos
O
método usado para o ensaio foi Indutivo onde as constatações
particulares do currículo da AM e ESFA, chegou-se a generalizar todo o processo
de ensino e aprendizagem militar em Moçambique.
Usou-se
pesquisa Bibliográfica que de acordo com Pinto (2010:10), esta pesquisa é elaborada a partir de
material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos periódicos
e actualmente com material disponibilizado na Internet.
Neste
caso o ensaio baseou se em regulamentos das instituições de ensino militar
nomeadamente AM e ESFA, estatuto das Forças Armadas de Defesa de Moçambique,
planos curriculares de outros subsistemas de educação e varias obras que tratam
sobre o assunto em análise.
1.3. Problematização
A Defesa da Nação é uma
actividade desenvolvida pelos cidadãos, e visa assegurar a independência e a
unidade nacional, preservar a soberania, a integridade, a inviolabilidade do
país, garantir o funcionamento normal das instituições e a segurança dos
cidadãos contra qualquer ameaça ou agressão armada, (artigo 7 do conceito
Estratégico de Defesa Nacional)[1].
No artigo 8, do mesmo
documento acima referenciado, estabelece que a componente militar da defesa
nacional é a assegurada pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Sendo
Forças Armadas uma organização que tem como missão garantir a integridade
territorial do Estado, esta também participa no desenvolvimento económico,
social e cultural do país assim como os profissionais da carreira das armas.
Nesse contexto, surge a
necessidade de formar profissionalmente os seus quadros, razão pela qual começa
a surgir instituições de ensino militar com objectivo de formar seu pessoal do
quadro permanente e equipa-los de conhecimentos sólidos para fazer face ao
dinamismo da ciência militar e outras área do saber. Neste âmbito o
conhecimento militar passou a ser um dos inputs[2] essenciais
relativamente às novas concepções de aprendizagem organizacional.
Uma vez que as Forças Armadas
em tempo de paz têm a missão de participar directamente no desenvolvimento dos
pais surge a seguinte questão: Quais habilidades desenvolvidas nas instituições
de ensino militares que depois servem para a vida civil?
1.4. Motivação
do tema
A motivação do ensaio deve-se ao facto do autor ser formados numa das
instituições de ensino militar em Moçambique e pertencer ao quadro permante das
Forças Armadas de Defesa de Moçambique e achar que tem dado um contributo não
só na componente militar mais também no desenvolvimento da sociedade civil em
que se encontra inserido, ainda mais o tema aborda
um assunto que preocupa quase a todos envolvidos na qualidade de formação dos profissionais da carreira das armas e coloca à superfície um instrumento de avaliação do contributo dos
militares na sociedade.
Ao
se formar como militar é um desafio forte na área do saber fazer e saber estar
quer no meio militar assim como civil, assuntos que pelo entender do autor naquela época de formação estava deslocado dos
objectivos do curso, especificamente na área da ciências sociais, agropecuária,
pedagogia de educação física e outras áreas de saber diferentes das áreas militares,
mais na prática todos esses assuntos faziam parte da formação extra-curricular que noutros subsistemas de educação são abordados como assuntos transversais.
Por
esta razão o trabalho do autor de Licenciatura em ciências militares
orientou-se para a pesquisa sobre o contributo dos formandos na academia no
processo de ensino e aprendizagem: caso da Escola de Formação de Sargentos em
Boane, província de Maputo, uma vez sabendo qual o contributo desses
profissionais das armas ai suscitou o interesse de saber quais as habilidades
adquiridas que estes possam servir na vida civil, uma vez que se encontram
inseridos na sociedade cível.
1.5. Hipótese
As áreas técnicas de índole
estritamente académicas nos planos
curriculares do ensino militar contribui para o desenvolvimento de habilidades
que podem ser usadas na vida civil.
Ceitil[3] (2002)
apud Martins (2004:247), indica que
compete à formação dar corpo a uma política que deve responder a um duplo
objectivo:
- · Permitir adaptar os recursos humanos às mudanças estruturais e às modificações das condições de trabalho, resultantes da evolução tecnológica e da evolução do contexto económico;
- · Permitir determinar e assumir as inovações e alterações a realizar para assegurar o desenvolvimento da empresa.
Numa
perspectiva estratégica, considera este autor que a formação profissional se
destina para fornecer à empresa as competências necessárias ao seu
desenvolvimento e ao seu progresso, articulando as necessidades individuais de
formação com as necessidades em competências principais, garantindo, assim, o
sucesso nas empresas no futuro.
No
Guião do estudante Assistência e Formação para operações de contingência em
África, ACOTA (2009:1-1), afirma-se que o principal objectivo do
estabelecimento de formação militar é providenciar às forças operacionais,
pessoal treinado que possa manter um alto nível de prontidão. Para tal essa formação
militar deve alcançar pelo menos três objectivos:
- Desenvolver conhecimentos, capacidades e atitudes;
- Produzir alterações de comportamentos;
- Atingir objectivos específicos.
Ainda
segundo este guião o foco da formação militar consiste em preparar indivíduos
para desempenhar os deveres do trabalho para qual foram nomeados. O seu desafio
consiste em ajudar outros a aprender a realidade do terreno. Essa componente de
ajudar o outro o aprender também é vivida na sociedade uma vez que nem todos
têm a oportunidade de formação e essa particularidade é bem notório no seu
militar.
Apoiando-se ao Levieque (2007:95), a formação
militar deve ser vista como processo de transmissão de conhecimentos, hábitos,
habilidades e valores com vista a elevar a qualificação do indivíduo que abraça
a carreira militar.
A
Defesa da Nação é uma actividade desenvolvida pelos cidadãos, e visa assegurar
a independência e a unidade nacional, preservar a soberania, a integridade e a
inviolabilidade do país e garantir o funcionamento normal das instituições e a
segurança dos cidadãos contra qualquer ameaça ou agressão armada, (artigo 7 do
conceito Estratégico de Defesa Nacional)[4].
No
artigo 8, do mesmo documento acima referenciado, estabelece-se: a componente
militar da defesa nacional que é a assegurada pelas Forças Armadas de Defesa de
Moçambique. Sendo Forças Armadas uma organização que tem como missão garantir a
integridade territorial do Estado, esta também participa no desenvolvimento
económico, social do país.
Neste
contexto a política de formação segundo Domingues (2003:396), deverá ter como
preocupação, a consolidação das aprendizagens, ao mesmo tempo, deverá
acompanhar as mudanças previsíveis do desenvolvimento tecnológico.
De
referir que a principal razão pela qual as organizações formam o seu pessoal,
prende-se com uma tentativa de eliminar ou antecipar as deficiências no
desempenho organizacional devido aos elevados níveis de desenvolvimento
tecnológico que o mundo assiste.
De
acordo com Levieque (2007:92), o diagnóstico de necessidade de formação é um
processo que visa identificar as carências de formação dos colaboradores, face
as competências requeridas as estratégias da empresa e as exigências do posto
de trabalho.
Do
ponto de vista da gestão eficiente dos RH, Ferreira (1986:172), diz que não
basta facultar ao homem, apenas os recursos e meios materiais que lhe
possibilitem a realização do trabalho. É preciso, também que se cuide de sua
preparação, de seu adestramento para que a eficiência seja alcançada.
Baseando-se nestas teorias, é de afirmar que a formação
profissional das FA visa a aquisição de
conhecimentos, capacidades, atitudes e formas de comportamento exigidos para o
desempenho das funções militares assim como em qualquer ramo área do saber uma
fez que em tempo de paz as FADM desenvolvem actividades de índole social.
Para
Torquato (2002:06), o profissional deve possuir conhecimentos específicos,
estando potencialmente capacitado para estabelecer abordagens abrangentes da
sociedade e da empresa.
Daí
que a profissionalização das FADM também deve reflectir no aumento da
qualificação requerida aos indivíduos em termos de conhecimentos técnicos,
científicos, habilidades, que visam a melhoria de prestação de serviços assim
como o cumprimento das ordens.
Awortwi (2007:25), nos seus estudos indicou
que a formação dos RH em Moçambique, constitui apenas um fenómeno recente e
terá ainda que atingir os seus objectivos a um nível significativo. Ainda o
mesmo autor acrescenta que, dentro do mesmo contexto, estas observações, indica
que embora a estratégia global pareça ter claramente articulado as intervenções
críticas na área, não haverá nenhuma modernização do estado sem um programa
determinado e sustentável de formação dos funcionários públicos.
É
claro que de acordo com as abordagens feitas por vários autores, em prol da
profissionalização, as FADM devem a postar na formação dos seus quadros
permanentes para permitir que estas participem claramente na segurança da
defesa nacional e no desenvolvimento das habilidades que esses profissionais
possam aplicar na vida civil, bem como na modernização do país, ligando os
interesses e as necessidades dos militantes das FADM aos objectivos do governo
e da sociedade em geral.
O
ensino militar em Moçambique assim como sua estrutura curricular são orientados
pelo Ministério de Educação a partir dos Diplomas Ministeriais o decreto nº
62/2003 de 24 de Dezembro e o decreto nº 68/2008 de 30 de Junho.
O
Diploma Ministerial nº 62/2003 de 24 de Dezembro, estabelece a criação da Academia
Militar, como um estabelecimento militar de ensino superior das FADM, com
objectivo de desenvolver actividades de ensino, de investigação e de apoio a
comunidade e o nº 68/2008 de 30 de Junho, estabelece a criação da Escola de
Sargentos das Forças Armadas como um estabelecimento militar de ensino médio
das Forças Armada.
As
instituições de ensino militar em Moçambique proporcionam aos formandos uma
preparação sólida de base de nível básico, médio e superior em moldes idênticos
aos dos institutos de formação técnico profissional médio e universidades.
3.1.
Plano curricular das instituições de Ensino Militar em Moçambique
“A
construção de um currículo é um processo dinâmico que se deve ajustar às
contínuas transformações da sociedade”, (INDE:2003).
As escolas de ensino militar também faz um a acompanhamento
sobre o dinamismo, uma vez que anteriormente só se forma oficial para a guerra,
os hospitais militares so estava centrada para atender os feridos de guerra, as
escolas militares só frequentavam estudantes militares, face ao actual cenário
tudo isso devido ao acompanhamento dinâmico hoje todo plano curricular já vem
associado a questão da transversalidade e a relação com a sociedade onde sai
esse oficial (currículo local).
3.1.1.
Plano
curricular do Ensino Superior
Como
qualquer instituição de ensino superior, para além do programa nacional de
educação tem um plano curricular que traduz suas aspirações com vista a
alcançar os plasmados no programa nacional de educação para aquele nível. Para
o caso das instituições militares esses planos curriculares são designados por
regulamentos.
A
alínea a) do nº 2 do artigo 6 do Regulamento da AM advoga que os cursos de
formação de oficiais (CFO), conferem o grau de Licenciatura em Ciências
Militares em diversas especialidades (cursos).
O
ensino ministrado na instituição de ensino superior militar tem um carácter
objectivo e dinâmico, visando a formação global e integral dos estudantes como
chefes militares e como cidadãos, definidas no estatuto da AM. (nº 1, artigo
58, decreto nº 62/03 de Dezembro, Regulamento da AM). E abrange quatro áreas
muito essenciais do saber:
3.1.1.1.Formação científica
geral
A formação científica geral deverá ser
ministrada nos primeiros anos dos CFO, servindo de suporte quer ao desenvolvimento
e compreensão das matérias de cada curso, quer futuramente, á aquisição de
novos conhecimentos decorrentes da acelerada evolução do conhecimento, numa
perspectiva de valorização profissional permanente, como condição de acesso aos
sucessivos níveis da hierarquia, (nº 1 artigo 59, decreto nº 62/03, de 24 de
Dezembro, Regulamento da AM).
A
formação científica de base geral recebida, durante a formação na AM, visa
proporcionar aos oficiais formados, os conhecimentos e a dinâmica intelectual
essenciais ao permanente acompanhamento da evolução do saber quer na área
militar assim como na área social. Também são
incluídos programas de prestação de serviços à comunidade e de colaboração em
actividades de natureza científica e cultural.
Durante
essa fase da formação científica geral os formandos são dotados de
conhecimentos extra curriculares com finalidade de proporcionar
um desenvolvimento integral e harmonioso da personalidade, padrões aceitáveis
de comportamento: lealdade, respeito, disciplina e responsabilidade no
cumprimento das missões a que for atribuída.
3.1.1.2.Formação científica de
índole técnica
Segundo
o nº 1 do artigo 60, do Regulamento da AM, esta formação deve merecer a melhor
atenção no contexto geral da formação dos futuros oficiais dos quadros
permanentes, face ao desafio das novas tecnologias e do extraordinário tecnicismo
do armamento e dos métodos de guerra, destinando-se a satisfazer as
qualificações profissionais indispensáveis aos exercícios de funções técnicas,
no âmbito de cada uma das especialidades das FADM,
Esta formação é
indispensável aos oficiais dos quadros permanentes das FADM para o desempenho
das funções técnicas e possível contribuição para o desenvolvimento científico
da prática militar, com vista a satisfazer as qualificações profissionais
indispensáveis ao desempenho das funções.
Como qualquer plano
curricular para além das cadeiras do curso também consta as cadeiras ligadas aos
cursos das quais são de carácter obrigatório e tem um crédito muito
fundamental, também esta particularidade são verificadas nas instituições de
ensino militar.
3.1.1.3. Formação
comportamental
A
formação dos alunos, na área das ciências do comportamento, deverá constituir
preocupação fundamental e objectiva na compreensão dos valores culturais
patrióticos que consubstanciam a instituição militar, atento às tradições das
FADM e a identificação com o sentimento profundo da defesa nacional, (nº 1,
artigo 61, Regulamento da AM).
Esta
formação comportamental é abordada em forma de temas transversais e algumas
como cadeiras devido a sua complexidade e são responsáveis pela educação cívica
e moral. Tem objectivo de desenvolver aos oficiais em formação os atributos de
carácter, alto sentido do dever patriótico, honra e lealdade, culto da ordem e
da disciplina e as qualidades de comando e chefia inerentes à condição militar
e não só também a componente inserção na comunidade uma vez que o mesmo
formando saiu da comunidade e da comunidade voltara.
3.1.1.4. Formação física e
adestramento militar
Preparação
física e adestramento militar, visam conferir aos estudantes a aptidão física e
o treino indispensáveis ao cumprimento das suas futuras missões, (nº 1, artigo
62, decreto nº 62/03, de 24 de Dezembro, Regulamento da AM).
A formação física e
adestramento militar está em prol do vigor físico devido as atribuições que o militar desempenha, não só
por circunstância de conflitos, para os quais deve manter-se sempre preparado,
mas também em tempo de paz, exige-se um elevado nível de saúde física e mental.
A
Educação Física é considerada como "um
elemento essencial para a formação geral do Homem", VAGO (1993:213).
A
valorização da preparação física ou prática sistematizada de exercícios
físicos, começa com os militares com finalidade de manter a operacionalidade do
combatente e pela convicção que era de extrema importância na disciplina da
tropa. Esta formação física nas instituições de ensino militar é contínua e
ininterrupta.
Nas
instituições de ensino militar para além das aulas práticas constantes das
especialidades (cursos), os seus planos engloba estágios.
“O
estágio é um campo de conhecimento que se concretiza na interacção
professor-aluno, e que tem por objectivo inserir os alunos no campo de
trabalho, configurando uma porta de entrada a este por meio da especialização e
treinamento nas rotinas quotidianas”. Pimenta & Lima (2004:25)
Os
estágios são de duração variável em conformidade com os cursos. Com finalidades
de proporcionar aos alunos habilidades para aplicação prática dos conhecimentos
teóricos adquiridos assim como habilidades que podem servir para a vida civil.
Talvez a única diferença esta no nome enquanto as instituições civis designam
de estágios nos designamos por tirocino.
Estes
estágios não são só feitos nas unidades militares ou escolas práticas, também
em coordenação com outras instituições quer de ensino ou não, por exemplo os
engenheiros para além de terem aulas na faculdade de engenharia da universidade
da Eduardo Mondlane, tem tido estágios nas CFM, obras públicas, o mesmo
acontece para os médicos, administradores militares, marinheiros pilotos e
outras especialidades que tem uma ligação directa com a sociedade civil.
3.1.2.
Plano
curricular do ensino Médio
O
plano curricular do ensino médio militar orienta-se como outros currículos do
ensino médio profissional pelos princípios gerais e pedagógicos definidos nos
artigos 1 e 2 da Lei nº 6/92, de 6 de Maio, que aprova o sistema Nacional de
Educação. Para os graduados são conferidos certificados de habilitações
literárias de nível médio que pode ser aproveitado para fins públicos.
A
orientação do ensino Médio não foge muito do ensino superior, a diferença esta
na carga horária, o tempo de formação (ensino superior são 5 anos e o médio são
3 anos ambos incluindo estágios). As áreas de ensino são as mesmas (formação técnica
e tecnológica, Formação comportamental e preparação física e adestramento militar)
mais ministradas ao nível médio.
Para
os alunos do último ano o plano curricular engloba também estágios de duração
variáveis, com finalidades de proporcionar aos alunos habilidades para
aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos.
3.2. Habilidades
desenvolvidas na formação Militar que servem para a vida civil
3.2.1.
Argumentos
É
sabido por todos nós que os militares foram os pioneiros a incluir em seus
programas de formação disciplinas ligadas a educação patriótica que actualmente
são abordados como temas transversais e algumas como disciplinas de ensino,
como exemplo a educação moral e cívica e educação física, tendo por isso grande
influência na organização e no desenvolvimento curricular de sistema de
educação.
No
desenvolvimento das habilidades adquiridas durante a formação militar, estas
são desenvolvidas quase em todas as áreas do saber tal que se dá o caso da
história militar como campo de especialização académica, onde esta foi se
alterando constantemente ao longo dos anos ate chegar a ser vista como temas
transversais, disciplina e cursos especializados.
“A
matéria da história não é caracterizada apenas pelo fato de ser
uma especialização académica com seus métodos particulares, mas também por
estar ligada à vida pública em geral” (BLANKE, 2006:51).
O
desenvolvimento da história militar como disciplina partiu de uma análise que
se caracterizava pela preocupação com as unidades militares, os combates, suas
estratégias e tácticas no teatro das operações eram levadas ao cabo, enquanto
considerações sobre a forma como a guerra influenciava as estruturas
institucionais, sociais e económicas do período eram negligenciadas, (PARET, 1993:210)[5].
Huntington
(1996:82) diz que a história militar é o meio que acumula experiências numa
visão militar, onde o homem só aprende pela experiência acumuladas. Se tem
pouca oportunidade de aprender pela própria experiência terá então de aprender
pela experiência dos outros.
Os
historiadores comungam a ideia que os militares foram os precursores a incluir
em seus programas de formação disciplinas ligadas a prática de exercícios
físicos, tendo por isso grande influência na organização e no desenvolvimento
do plano curricular a disciplina de Educação Física nas escolas.
Com
as habilidades desenvolvidas em história uma parte de professores que assegurou
a disciplina de história em vários subsistemas de ensino em Moçambique até a
formação de professores de história fora os militares, um dos casos vividos
pelo autor foi o da UP-Delegação de Nampula onde uma parte de docentes é
militares.
A
prática da educação, ordem unida e preparação combativa no seio dos militares
veio dar a valorização da prática sistematizada de exercícios físicos nas
escolas públicas ou melhor nos estabelecimentos de ensino, com a finalidade de
proporcionar aos alunos uma manutenção saudável do corpo e disciplina.
A
influência destas práticas de exercícios físicos estendeu-se até ao sistema de
educação com objectivo de preparar o aluno fisicamente, uma vez que, esta
prática faz uma ligação entre a prática de actividades físicas e visões ligadas
a civismo, patriotismo e corpo
saudável. Neste contexto surgem militares a desempenharem funções de
professores de educação física e desporto.
Na
área de aviação com a introdução dos cursos de Pilotos aviadores em Moçambique
(PILAV), verificou-se um aumento do número de pilotos nacionais e uma redução
visível das dependências dos Pilotos estrangeiros, o mesmo acontece com os Marinheiros
(Navegadores) agora os navios que entram no pais são acompanhados e controlados
pelos navegadores nacionais.
Na
área da medicina já fica bem visível o uso das habilidades desenvolvidas
durante a formação dos médicos militares, deixando de lado a componente
profissional, este profissionais de saúde militar desenvolvem uma outra
particularidade que é o patriotismo e o espírito de corpo, assistiu-se o
patriotismo e amor ao próximo como fruto das habilidades desenvolvidas pelo
currículo de ensino militar quando houve greve dos médicos em 2013, onde os
médicos civis paralisaram as actividades e o governo usou os médicos militares
para assegurarem os serviços de saúde.
Os formados nas áreas da Engenharia Militar, Medicina
Militar e Administração Militar têm a possibilidade de ingresso directo nas
respectivas ordens profissionais: Engenheiros, Médicos e os da Administração
podem fazer auditorias em sectores civis ou privados.
3.2.2. Contra argumentos
Como vimos as habilidades
desenvolvidas na formação militar tem um papel fundamental no contributo da
sociedade civil sem contar com a própria missão dos militares, mais essas
habilidades não são considerados ou mesmo valorizados por parte das entidades
de tutela, aliados a essa desconsideração faz com que esses profissionais só se
agarrem nas funções que lhes diz respeito.
Um dos caso vivido
recentemente quando os médicos civis paralisaram as actividades foi recorrido
os médicos militares, mais durante as discussões esses oficiais foram deixados
de lado talvez alegando que são militares, quando o pais é a solado pelas
catástrofes naturais ai vai se levar o militar para dar seu contributo, depois
ninguém diz algo encorajador com vista a motiva-los.
A outra grande objecção é
mesmo com Engenheiro Militar formado quer dentro ou fora do país ainda
continua-se a contratar engenheiros civis para construções, reabilitações dos
quartéis, dai também mesmo dentro dos militares existe uma exclusão que
contribui negativamente para o desenvolvimento das habilidades adquiridas
durante a formação.
Por mais que se dê uma grande observação nas áreas
técnicas de índole estritamente académicas nos planos curriculares do ensino
militar em Moçambique, as habilidades desenvolvidas pelos formados podem não
ser bem a aproveitadas.
Acha-se que os militares em
Moçambique por mais que tenham uma formação superior com padrões idênticos das
outras instituições, este continuara a ser excluído da sociedade. A falta de motivação
e consideração faz com que esses profissionais não transmitam ou contribuam
para o desenvolvimento do país.
Fazendo
uma análise, a probabilidade de haver resistências de alguns intelectuais Moçambicanos
que não desejam a formação militar ou a carreira militar como uma profissão é
muito provável, que segundo estes, "não necessitava de formação
de militares ou continuação dos militares uma vez que a guerra acabou".
4.
Considerações
finais
Procuramos, no presente ensaio, fazer uma revisão das principais
interpretações sobre as formas de inserção dos militares na sociedade civil,
onde se
analisou as particularidades do plano curricular
presente na formação dos militares, sua influência no comportamento em relação
a sociedade civil, tudo isso com intuito de saber as habilidades
desenvolvidas nas instituições de ensino militares que depois servem para a
vida civil.
Notou-se que existe uma extrema importância na profissionalização
e socialização dos militares militares. Aliados a isso há o reconhecimento por
parte de vários autores da existência e importância da formação militar dentro
dum determinado pais.
Encontramos elementos fundamentais da formação que fazem com que
os formados nas instituições militares contribuam para o desenvolvimento da
sociedade civil. Processo de formação do militar em Moçambique, exercem
ponderável influência sobre a carreira dos mesmos e seus posicionamentos em
relação à sociedade civil.
No entanto, constatou-se que há ainda bastante espaço para o
desenvolvimento de pesquisas mais aprofundadas sobre as instituições militares,
estrutura dos planos curriculares, habilidades desenvolvidas durante a formação
dos militares.
E por fim o autor sugere que se abraçasse a
carreira das armadas como uma profissão com o objectivo de descongestionar as
enchentes das escolas, centro de formação profissional e universidades em
Moçambique e educação do desemprego.
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VAGO, T. Das escrituras à escola pública: a educação
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[2] Entradas
[3] Ceitil, M. (2002) – “O Papel da Formação no
Desenvolvimento de Novas Competências”, in Caetano, A. e Vala, J.
(organizadores), Gestão de Recursos Humanos. Contextos, processos e
técnicas, Lisboa, RH Editora, 2ª Ed., pp.327-355.
[5] Amanda
Pinheiro Mancuso (Doutora pelo PPGCSo da UFSCar, Pesquisadora associada do Arquivo
de História Militar Ana Lagôa e docente do IPESU)

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