nota sobre o autor
Osvaldo
Francisco de carvalho Choé, natural da cidade de Quelimane província da
Zambézia, nacionalidade Moçambicana. Tem formações em Elaboração,
gestão avaliação e monitoria de projectos de Desenvolvimento,
associativismo juvenil, Hiv-sida, Relações Publicas e protocolo.
Licenciado em ciências Militares pela Academia Militar Marechal Samora
Machel, Mestrando no curso Educação/formação de formadores na
Universidade Pedagógica Delegação da Beira. Actualmente é oficial das
Forças Especiais de Moçambique.
Osvaldo
Francisco de carvalho Choé, natural da cidade de Quelimane província da
Zambézia, nacionalidade Moçambicana. Tem formações em Elaboração,
gestão avaliação e monitoria de projectos de Desenvolvimento,
associativismo juvenil, Hiv-sida, Relações Publicas e protocolo.
Licenciado em ciências Militares pela Academia Militar Marechal Samora
Machel, Mestrando no curso Educação/formação de formadores na
Universidade Pedagógica Delegação da Beira. Actualmente é oficial das
Forças Especiais de Moçambique.
A INCLUSÃO
ESCOLAR DE ALUNOS SURDOS: O que dizem alunos, Professores e Intérpretes sobre
esta Experiência.
Cristina Broglia Feitosa de Lacerda[1]
Resumo
Esta recensão
crítica apresenta uma revisão bibliográfica das ideias principais sobre a Inclusão
escolar de alunos surdos do artigo da professora Cristina (2006), onde da
experiência feita pela professora explica os problemas que os alunos com
dificuldades auditivas enfrentam no seu quotidiano nas escolas regulares mesmo
com a presença de intérprete de língua de sinais. E também ela traz neste
artigo alguns depoimentos dos alunos surdos, ouvintes, professores e
intérpretes, onde os dados indicaram problemas que ocorrem no espaço escolar,
tais como desconhecimento sobre a surdez e sobre suas implicações educacionais,
dificuldades na interação professor/intérprete e a incerteza em relação ao
papel dos diferentes actores que trabalham em prol da inclusão dos alunos com
dificuldades educativas especiais. Ainda os depoimentos apontaram as
dificuldades como adaptações curriculares e estratégias de aula, excluíam os
alunos surdos de algumas actividades. Para a professora Cristina estes aspectos
são negligenciados, uma vez que é de conhecimento de todos que a inclusão
escolar é um bem em si. Os resultados obtidos vêm confirmar a necessidade e
importância da aplicação de actividades funcionais para que o educando com
dificuldades auditivas se desenvolva, melhorando assim a sua qualidade de vida.
Palavras-chave: inclusão, alunos surdos, dificuldades educativas especiais
A INCLUSÃO
ESCOLAR DE ALUNOS SURDOS. Síntese das ideias da professora Cristina e o
contexto Moçambicano.
A inclusão dos
indivíduos com necessidades educativas especiais começa a ser encarada como um
assunto preocupante nas décadas de 1990, quando difundiu-se a política
educacional de inclusão dos indivíduos com necessidades educativas especiais,
onde para além de vários aspectos propôs-se maior respeito e socialização
efectiva destes grupos de indivíduos.
A inclusão
referida na pesquisa da professora Cristina apresentava-se como uma proposta
adequada para a comunidade escolar, que se mostra disposta ao contacto com as
diferenças entre os alunos. Mais no decorrer da pesquisa foi-se percebendo que
há um espaço para os alunos surdos, há um acolhimento por parte dos alunos
normais, professores e intérpretes, todos estes com intuito de ajudar na
inclusão destes indivíduos com dificuldades nas escolas regulares como foi dito
antes que essa prática esta sendo baseada numa experiência, o que esta autora
achou de paradoxo.
Contudo este
todo esforço para os alunos com dificuldades não é satisfatório ou mesmo não os
inclui como os alunos ouvintes assim como professores e intérpretes
referenciaram nos seus depoimentos, por que esses indivíduos tendo necessidades
especiais, vão precisar também de condições que na maioria dos casos as escolas
regulares não estão preparada ou não são proporcionadas pela escola. O outro
factor é a linguagem que para professora Cristina citando VIGOTSKI (2001), é
responsável pela regulação da actividade psíquica humana e é ela que intervém
na estruturação dos processos cognitivos de cada indivíduo.
Com a
dificuldade da linguagem faz com que estes indivíduos se sintam prejudicado
durante a integração na sociedade, sentindo-se estranhos na sociedade uma vez
que é a partir da linguagem que os humanos diferenciam-se dos demais animais. Ainda
devido às dificuldades conduzidas pelas questões de linguagem, observa-se que
os indivíduos surdos encontram-se isolados em termos de escolarização, sem o
adequado desenvolvimento e com um desconhecimento atrás do que espera para o
seu futuro. Como se tem notado muitos desses indivíduos quase na sua maior
parte de vida passam como dependentes dos seus encarregados de educação e pais,
primeiro por causa da restrição de áreas de formação, segundo por que não
existe uma politica de emprego para estes indivíduos e por fim esta a questão
de faltas de escolas especiais e professores especializados.
A sociedade
também contribui negativamente para essa dificuldade da integração dos surdos,
partindo dos exemplos mais comuns, os pais e encarregados de educação quando
tem um educando ou filho com essa deficiências limita-se em deixa-lo alegando
que mesmo frequentando a escola não terá emprego ou conseguira ingressar na
universidade, os outros são ignorantes sobre os cuidados prestados aos surdos
somente limitando-se apenas em dar carinhos e restringido suas área de amizades
como forma de não passar vergonha por não estarem preparadas para ter um filho
“surdo e mudo”, outros levam muito tempo a acreditando que se trata de
superstição percebendo-se mais tarde que trata-se de um fenómeno natural, a
educação também joga seu papel para não inclusão quando não proporciona escolas
especiais, quando não forma professores especiais.
A professora
Cristina destacou um aspecto muito importante como motivação da educação de indivíduos
com NEE, o oferecimento de suporte e assistência desses indivíduos e aos
professores, para que o atendimento assim como o processo de
ensino-aprendizagem sejam melhor possíveis.
Este aspecto é
pertinente visto que os indivíduos com NEE na sua maioria em Moçambique vem de
famílias desfavorecidas ou mesmo com défices económicos para mandarem seus
filhos a uma escola privada, de proporcionar transporte, dai que se a escola
condicionar lanches ou transporte de ida e volta como tem acontecido com algumas
escolas privadas teriam muitas crianças a frequentar e a terem bom rendimento
pedagógico.
A questão do
currículo também joga um outro papel muito fundamental, para casos de outros
países que há um modelo de educação especial que não favorece a estigmatização
e a discriminação destes indivíduos, tem um número acentuado de indivíduos com
NEE a frequentarem escolas regulares. O currículo não deve ser desenhado de
forma que seja o aluno a se adaptar ao currículo, mas sim deve ser como um
campo aberto à diversidade. Professora Cristina (2006:166), diz que o modelo
inclusivo sustenta-se na ideia que defende a solidariedade e o respeito mútuo
às diferenças individuais, onde ponto central está na importância da sociedade
aprender a conviver com as diferenças de cada um.
Esta ideia na
prática se depara com muitos problemas para sua implementação, partindo do
pressuposto que os indivíduos surdos são diferentes dos ouvintes como
referencie anteriormente, o atendimento também vai de acordo com às suas
características particulares para tal implicara formação dos professores,
interpretes e também dos seus encarregados de educação e revisões curriculares
ou mesmo desenho de um currículo adequado para estes indivíduos, todas estas
condições envolve custos, para Moçambique tem sido muito pouco realizado por
que a maior parte de financiamento de algumas escolas especiais públicas que
existem resultam de doações e cada doador dita as regras que muitas das vezes
não vão de acordo com as nossas realidades que culmina com o fim do projecto.
A declaração de
Salamanca[2],
no artigo no 3 incentiva os governos a realizarem algumas acções de
melhorias na rede de ensino e solicita que os países signatários desta
Declaração considerem com seriedade aspectos relacionados com a especial
atenção às necessidades de crianças com deficiências graves ou Múltiplas
deficiências. E no 7o artigo da mesma Declaração ressalta que o
fundamental da escola inclusiva é que todas as crianças devem aprender juntas,
sempre que possível, independente de quaisquer dificuldades que elas possam
ter.
A declaração de
Salamanca apesar dos seus objectivos claros e importantíssimo acarreta fundos
para a sua implementação que para nosso caso fica difícil uma vez que vivemos
na base de doações. Não obstante ao referido anteriormente também fica muito
difícil familiarizar o professor com a Declaração de Salamanca.
Mestrando Osvaldo Francisco de Carvalho Choé
Hbvavo@gmail.com
[1]
Doutora em
Educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Curso de
Fonoaudiologia da Universidade Metodista de Piracicaba.
[2]
Documento
produzido pela Conferência Mundial sobre NEE, realizada em Salamanca, Espanha,
sob o patrocínio da UNESCO e do Ministério da Educação e Ciência, da Espanha, Junho
de 1994.
