domingo, 7 de dezembro de 2014






 
oficial das FADM



nota sobre o autor

Osvaldo Francisco de carvalho Choé, natural da cidade de Quelimane província da Zambézia, nacionalidade Moçambicana. Tem formações em Elaboração, gestão avaliação e monitoria de projectos de Desenvolvimento, associativismo juvenil, Hiv-sida, Relações Publicas e protocolo. Licenciado em ciências Militares pela Academia Militar Marechal Samora Machel, Mestrando no curso Educação/formação de formadores na Universidade Pedagógica Delegação da Beira. Actualmente é oficial das Forças Especiais  de Moçambique.






A INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS SURDOS: O que dizem alunos, Professores e Intérpretes sobre esta Experiência.

Cristina Broglia Feitosa de Lacerda[1]


Resumo

Esta recensão crítica apresenta uma revisão bibliográfica das ideias principais sobre a Inclusão escolar de alunos surdos do artigo da professora Cristina (2006), onde da experiência feita pela professora explica os problemas que os alunos com dificuldades auditivas enfrentam no seu quotidiano nas escolas regulares mesmo com a presença de intérprete de língua de sinais. E também ela traz neste artigo alguns depoimentos dos alunos surdos, ouvintes, professores e intérpretes, onde os dados indicaram problemas que ocorrem no espaço escolar, tais como desconhecimento sobre a surdez e sobre suas implicações educacionais, dificuldades na interação professor/intérprete e a incerteza em relação ao papel dos diferentes actores que trabalham em prol da inclusão dos alunos com dificuldades educativas especiais. Ainda os depoimentos apontaram as dificuldades como adaptações curriculares e estratégias de aula, excluíam os alunos surdos de algumas actividades. Para a professora Cristina estes aspectos são negligenciados, uma vez que é de conhecimento de todos que a inclusão escolar é um bem em si. Os resultados obtidos vêm confirmar a necessidade e importância da aplicação de actividades funcionais para que o educando com dificuldades auditivas se desenvolva, melhorando assim a sua qualidade de vida.

Palavras-chave: inclusão, alunos surdos, dificuldades educativas especiais


A INCLUSÃO ESCOLAR DE ALUNOS SURDOS. Síntese das ideias da professora Cristina e o contexto Moçambicano.

A inclusão dos indivíduos com necessidades educativas especiais começa a ser encarada como um assunto preocupante nas décadas de 1990, quando difundiu-se a política educacional de inclusão dos indivíduos com necessidades educativas especiais, onde para além de vários aspectos propôs-se maior respeito e socialização efectiva destes grupos de indivíduos.

A inclusão referida na pesquisa da professora Cristina apresentava-se como uma proposta adequada para a comunidade escolar, que se mostra disposta ao contacto com as diferenças entre os alunos. Mais no decorrer da pesquisa foi-se percebendo que há um espaço para os alunos surdos, há um acolhimento por parte dos alunos normais, professores e intérpretes, todos estes com intuito de ajudar na inclusão destes indivíduos com dificuldades nas escolas regulares como foi dito antes que essa prática esta sendo baseada numa experiência, o que esta autora achou de paradoxo.

Contudo este todo esforço para os alunos com dificuldades não é satisfatório ou mesmo não os inclui como os alunos ouvintes assim como professores e intérpretes referenciaram nos seus depoimentos, por que esses indivíduos tendo necessidades especiais, vão precisar também de condições que na maioria dos casos as escolas regulares não estão preparada ou não são proporcionadas pela escola. O outro factor é a linguagem que para professora Cristina citando VIGOTSKI (2001), é responsável pela regulação da actividade psíquica humana e é ela que intervém na estruturação dos processos cognitivos de cada indivíduo.

Com a dificuldade da linguagem faz com que estes indivíduos se sintam prejudicado durante a integração na sociedade, sentindo-se estranhos na sociedade uma vez que é a partir da linguagem que os humanos diferenciam-se dos demais animais. Ainda devido às dificuldades conduzidas pelas questões de linguagem, observa-se que os indivíduos surdos encontram-se isolados em termos de escolarização, sem o adequado desenvolvimento e com um desconhecimento atrás do que espera para o seu futuro. Como se tem notado muitos desses indivíduos quase na sua maior parte de vida passam como dependentes dos seus encarregados de educação e pais, primeiro por causa da restrição de áreas de formação, segundo por que não existe uma politica de emprego para estes indivíduos e por fim esta a questão de faltas de escolas especiais e professores especializados.

A sociedade também contribui negativamente para essa dificuldade da integração dos surdos, partindo dos exemplos mais comuns, os pais e encarregados de educação quando tem um educando ou filho com essa deficiências limita-se em deixa-lo alegando que mesmo frequentando a escola não terá emprego ou conseguira ingressar na universidade, os outros são ignorantes sobre os cuidados prestados aos surdos somente limitando-se apenas em dar carinhos e restringido suas área de amizades como forma de não passar vergonha por não estarem preparadas para ter um filho “surdo e mudo”, outros levam muito tempo a acreditando que se trata de superstição percebendo-se mais tarde que trata-se de um fenómeno natural, a educação também joga seu papel para não inclusão quando não proporciona escolas especiais, quando não forma professores especiais.

A professora Cristina destacou um aspecto muito importante como motivação da educação de indivíduos com NEE, o oferecimento de suporte e assistência desses indivíduos e aos professores, para que o atendimento assim como o processo de ensino-aprendizagem sejam melhor possíveis.

Este aspecto é pertinente visto que os indivíduos com NEE na sua maioria em Moçambique vem de famílias desfavorecidas ou mesmo com défices económicos para mandarem seus filhos a uma escola privada, de proporcionar transporte, dai que se a escola condicionar lanches ou transporte de ida e volta como tem acontecido com algumas escolas privadas teriam muitas crianças a frequentar e a terem bom rendimento pedagógico.

A questão do currículo também joga um outro papel muito fundamental, para casos de outros países que há um modelo de educação especial que não favorece a estigmatização e a discriminação destes indivíduos, tem um número acentuado de indivíduos com NEE a frequentarem escolas regulares. O currículo não deve ser desenhado de forma que seja o aluno a se adaptar ao currículo, mas sim deve ser como um campo aberto à diversidade. Professora Cristina (2006:166), diz que o modelo inclusivo sustenta-se na ideia que defende a solidariedade e o respeito mútuo às diferenças individuais, onde ponto central está na importância da sociedade aprender a conviver com as diferenças de cada um.

Esta ideia na prática se depara com muitos problemas para sua implementação, partindo do pressuposto que os indivíduos surdos são diferentes dos ouvintes como referencie anteriormente, o atendimento também vai de acordo com às suas características particulares para tal implicara formação dos professores, interpretes e também dos seus encarregados de educação e revisões curriculares ou mesmo desenho de um currículo adequado para estes indivíduos, todas estas condições envolve custos, para Moçambique tem sido muito pouco realizado por que a maior parte de financiamento de algumas escolas especiais públicas que existem resultam de doações e cada doador dita as regras que muitas das vezes não vão de acordo com as nossas realidades que culmina com o fim do projecto.

A declaração de Salamanca[2], no artigo no 3 incentiva os governos a realizarem algumas acções de melhorias na rede de ensino e solicita que os países signatários desta Declaração considerem com seriedade aspectos relacionados com a especial atenção às necessidades de crianças com deficiências graves ou Múltiplas deficiências. E no 7o artigo da mesma Declaração ressalta que o fundamental da escola inclusiva é que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independente de quaisquer dificuldades que elas possam ter.

A declaração de Salamanca apesar dos seus objectivos claros e importantíssimo acarreta fundos para a sua implementação que para nosso caso fica difícil uma vez que vivemos na base de doações. Não obstante ao referido anteriormente também fica muito difícil familiarizar o professor com a Declaração de Salamanca.



Mestrando Osvaldo Francisco de Carvalho Choé
                                                Hbvavo@gmail.com


[1] Doutora em Educação e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Curso de Fonoaudiologia da Universidade Metodista de Piracicaba.

[2] Documento produzido pela Conferência Mundial sobre NEE, realizada em Salamanca, Espanha, sob o patrocínio da UNESCO e do Ministério da Educação e Ciência, da Espanha, Junho de 1994.

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