quinta-feira, 18 de abril de 2013


Contributo de oficiais formados na AM no Processo de Ensino–Aprendizagem



SOBRE O AUTOR

















Osvaldo de Carvalho  é actualmente mestrando em Educação/Formação de Formadores pela Faculdade de Educação na  Universidade Pedagógica  Delegação da Beira - 2013. Possui uma Licenciatura em Ciências Militar  pela Academia Militar Marechal Samora Machel- Nampula. Formado em Relações publica, associativismo, elaboração e gestão de projecto de desenvolvimento. Tem experiência na área da Educação. Actualmente desempenha funções de oficial na unidade Chimoio.  




Trabalho de Investigação Aplicada, subordina-se ao tema Contributo de oficiais formados na AM no Processo de Ensino–Aprendizagem, caso da Escola de Sargentos das Forças Armadas “ General do Exército Alberto Joaquim Chipande”,  Boane, 2009-2010. foi apresentado à Academia Militar “Marechal Samora Machel” para obtenção do grau académico de Licenciatura em Ciências Militares.
                                                                                                         
                                                                                                          Tutorado por:
                                                                                                  Manuel Jamal Muladiua
                                                                                                        (Tenente-Coronel)


                                                                    Dedicatória

Este trabalho dedico com enorme estima e prazer, à minha mãe Lina João Clavel de Carvalho, que me deu forças para que eu aprendesse a lutar e a acreditar em vencer os obstáculos da vida e, em especial, à minha irmã Júlinha Francisco de Carvalho Choé, que partiu para eternidade bem cedo (saudades)!

Agradecimentos


Agradeço, especialmente, ao meu tutor TCOR Manuel Jamal Muladiua, que apesar dos seus múltiplos afazeres, aceitou supervisionar com humildade o trabalho e soube prestar-me o apoio necessário, o que permitiu que o mesmo se tornasse uma realidade.

A elaboração deste trabalho foi  fruto dos conhecimentos adquiridos na Academia Militar, pelo que agradeço o Comando da Academia Militar, ao Curso da Artilharia Terrestre e à todos os Comandantes das Companhias.

Endereço os meus agradecimentos à outra componente da família Carvalho, aos meus irmãos João, Hélio, Eduarda e Kelvin, e a minha namorada Mirela Celestino pelo calor e a palavra amiga que sempre me disseram.

Aos meus amigos Creitoni Branco, Nelson Gomes e todos aqueles que, directa ou indirectamente, contribuíram vai o meu sincero obrigado.

Lista de Abreviaturas e Siglas


ACOTA-        Assistência e Formação para operações de contingente em África
AM –              Academia  Militar
AMMSM ­­–     Academia Militar “Marechal Samora Machel”
CEMGFA-     Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas
CFO -                         Curso de Formação de Oficiais
CFS -              Curso de Formação de Sargentos
Crf.-                Confira
ESFA –           Escola de Sargentos das Forças Armadas
E-R –              Estímulo – resposta
EMG-                         Estado-Maior General
FA –                Forças Armadas
FADM -          Forças Armadas de Defesa de Moçambique
FPLM-           Forças Populares de Libertação de Moçambique
PEA -              Processo de Ensino -Aprendizagem
RH –               Recursos Humanos
Sr. −                Senhor


Resumo 

O presente Trabalho de Investigação Aplicada tem como tema “Contributo  de oficiais formados na AM no Processo de Ensino-Aprendizagem”, caso da Escola de Sargentos das Forças Armadas “ General do Exército Alberto Joaquim Chipande”, Boane,  2009-2010. Constitui o problema da pesquisa o seguinte: Até que ponto os oficiais formados na AM contribuem no Processo de Ensino-Aprendizagem na ESFA? Motivado pelo desempenho docentes oriundos de várias unidades militares e escolas de formação diferentes mas todos com os mesmos propósitos de darem o seu contributo na formação de oficiais na AM , desempenho este que é caracterizado pela muita dedicação e esforço, uma vez que existe desavenças doutrinárias entre a formação destes docentes e o programada do CFO na AM, também constituiu motivação para investigação do tema  por este ser um assunto que preocupa quase a todos envolvidos na qualidade de formação dos oficiais na AM e o interesse pessoal no conhecimento  das contribuições  dos graduados na AM, fez com que o autor levasse acabo a investigação do tema, acima referenciado, com objectivo de analisar o contributo de oficiais formados na Academia militar “Marechal Samora Machel” no PEA na ESFA. O trabalho teve duas hipótese que foram confirmadas. A pesquisa foi do tipo explicativa, foi usada observação assistemática, entrevista, questionário como instrumentos de colecta de dados e o método estatístico no seu tratamento. A  população alvo pesquisada foram os oficiais da Direcção Pedagógica da ESFA, dos quais: 1 (um), é o Director pedagógico e 19 (dezanove) Chefes dos Ciclos. Da análise dos resultados constatou-se que os oficiais formados na AM contribuem para a uniformização e normalização dos princípios orientadores do PEA nas FADM. O  autor sugere para  que se afecte mais oficiais formados na AM, nos estabelecimentos de ensino e formação Militar do país.

Palavras-chave: Contributo, Formação, PEA, Sargento



                                                             Summary

This Applied Research Working the theme "Contribution of officers trained in AM in Teaching-Learning Process," School case Sergeants Armed Forces "Army General Alberto Joaquim Chipande" Boane, 2009-2010. The research problem is the following: To what extent officers trained in AM contribute in the Process of Teaching and Learning in the ESFA? Motivated by the performance faculty from various military units and training schools different but all with the same purpose of giving their contribution in the training of officers in the AM, this performance which is characterized by a lot of dedication and effort, since there is doctrinal disagreements between the training of these teachers and scheduled CFO in AM, also provided motivation to investigate the issue because this is a subject that concerns almost everyone involved in the quality of training of officers in the AM and personal interest in understanding the contributions of graduates in the AM, did with the author I just took to research the topic, referenced above, with the aim of analyzing the contribution of officers trained in the Military Academy "Marshal Samora Machel" PEA in the ESFA. The work had two hypothesis were confirmed. The research was explanatory type, was used observation, interviews, questionnaires as instruments for data collection and statistical method in their treatment. The target population studied were the officers of the Directorate of Educational ESFA, of which one (1), is the Director pedagogical and 19 (nineteen) Heads of Cycles. Analysis of the results it was found that the officers trained in AM contribute to the standardization and normalization of the guiding principles in the SAP FADM. The author suggests that it affects more officers trained in the AM, in schools and military training of the country.

Keywords: Contribution, Training, PEA, Sergeant


Introdução

Este trabalho de pesquisa foi produzido no âmbito da conclusão do curso de formação de oficiais na Academia Militar “Marechal Samora  Machel” e vai se apresentar nesta instituição militar de ensino superior para a obtenção do grau de Licenciatura em Ciências Militares, especialidade de Artilharia Terrestre. O trabalho faz um estudo sobre o Contributo de oficiais formados na AM no Processo de Ensino–Aprendizagem, caso da Escola de Sargentos das Forças Armadas “General do Exército Alberto Joaquim Chipande”,  Boane, 2009-2010.

O pressuposto deste trabalho é analisar o contributo de oficiais formados na Academia militar “Marechal Samora Machel”, apresentar aspectos relacionados com a avaliação do grau de desempenho e propor acções que reforcem as afectações  dos oficiais formados na AM em função da sua formação profissional.
Constituiu o problema do trabalho: Até que ponto os oficiais formados na Academia Militar contribuem no Processo de Ensino-Aprendizagem?

Contudo, este trabalho aborda um assunto que preocupa quase a todos envolvidos na qualidade de formação dos oficiais na AM, o interesse pessoal no conhecimento  das contribuições  dos oficiais formados na AM e  coloca  à superfície  um instrumento de avaliação de desempenho dos oficiais formados na AM para as entidades governamentais, com maior incidência para as FADM.

Quanto à organização, para além dos elementos pré-textuais e pós-textuais, o trabalho compreende três capítulos: o primeiro, diz respeito à Metodologias, para além duma visão genérica, integra tema e sua delimitação, problematização, justificativa, objectivos e formulação das hipóteses, faz referência de procedimentos metodológicos, métodos de abordagem, tipo de pesquisa, técnicas de colecta de dados, método estatístico, população e amostra. O segundo capítulo é o da fundamentação teórica e faz menção sobre relação de conceitos, nomeadamente: formação de oficiais na Academia Militar “Marechal Samora Machel” e Processo de Ensino-Aprendizagem. O terceiro e último, está ligado a apresentação, análise e interpretação de dados relativos a questionários e entrevista. finalmente, apresentam-se a conclusão e respectivas sugestões. 


                                           CAPÍTULO I: METODOLOGIAS 


1.1. Escolha e delimitação do tema
O presente Trabalho de Investigação Aplicada faz um estudo relativo ao tema: Contributo de oficiais formados na AM no Processo de Ensino–Aprendizagem , caso da Escola de Sargentos das Forças Armadas “ General do Exército Alberto Joaquim Chipande”,  Boane, 2009-2010.

1.2. Problematização
A “Academia Militar é um estabelecimento de ensino superior militar que tem como missão principal formar oficiais para os quadros permanentes das FADM”,  (Nº1 do Artigo 5 do Decreto nº 62/2003, de 24 de Dezembro, Estatuto da Academia Militar). 

De forma a fazer face ao plasmado, no artigo acima referido, na sua alínea e), enaltece-se que um dos objectivos é assegurar o desempenho nas funções de comando de direcção e chefia como educadores e instrutores no processo do desenvolvimento da componente Militar da Defesa Nacional.

É nesta conjuntura que o proponente coloca a seguinte inquietação: Até que ponto os oficiais formados na Academia Militar contribuem no Processo de Ensino-Aprendizagem na ESFA?

1.3. Justificativa
Durante o período de formação, o autor  deparou-se com vários docentes oriundos de unidades militares  e escolas de formação diferentes que, de certa maneira, contribuem para o Processo de Ensino-Aprendizagem na Academia Militar. Motivado pelo desempenho desses docentes, desempenho este que é caracterizado pela muita dedicação e esforço, uma vez que existe desavenças doutrinárias entre a formação destes docentes e o programada do CFO na AM, também constituiu motivação para investigação do tema  por este ser um assunto que preocupa quase a todos envolvidos na qualidade de formação dos oficiais na AM e o interesse pessoal no conhecimento  das contribuições  dos graduados na AM. Estes e outros factos motivaram o proponente deste trabalho a interessar-se pelo estudo do tema proposto num contexto mais particularizado, procurando, desta feita, analisar o contributo de oficiais formados na Academia militar “Marechal Samora Machel”, na formação de Sargentos para o quadro permanente das FADM.

A escolha da Escola de Sargento das Forças Armadas “General do Exército Alberto Joaquim Chipande”, deve-se ao facto de ser uma instituição de ensino médio profissional militar que forma Sargentos para o quadro permanente das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, não obstante a isso em 2009 foi o ano que Academia Militar, lança para o trabalho o primeiro grupo de oficiais.

O estudo poderá servir de um instrumento de avaliação de desempenho dos oficiais formados na AM e de reflexão por parte das entidades governamentais, com maior incidência para as Forças Armadas de Defesa de Moçambique.

1.4.          Objectivos

1.4.1.      Objectivo geral
Com este trabalho de pesquisa pretende-se essencialmente:
  • Analisar o contributo de oficiais formados na Academia militar “Marechal Samora Machel” no PEA na ESFA.

1.4.2.      Objectivos Específicos
Os objectivos específicos tem em vista a concretização do objectivo geral, razão pela qual se torna necessário à sua operacionalização para a sua sustentação da pesquisa.  Assim, constituiu objectivos específicos:
  •  Explicar factores que contribuem para o grau de desempenho dos oficiais na formação de Sargentos para as FADM;
  •  Identificar  factores que contribuem para o grau de desempenho dos oficiais na formação dos Sargentos para as FADM;
  •  Propor acções que reforcem as afectações nas unidades militares dos oficiais formados na AM, em função da sua formação profissional.
1.5.  Formulação de Hipóteses

Hipótese “é uma suposição que antecede a constatação dos factos e tem como características numa formulação provisória que deve ser testada para determinar a sua validade e sempre conduz uma verificação empírica”. (Lakatos & Marconi, 1990:30),

Por conseguinte, a hipótese é uma resposta antecipada ao problema em causa, isto é , uma proposição que se forma e que será aceite ou rejeitada depois de devidamente testada de acordo com o problema e os objectivos traçados na realização da pesquisa. Neste contexto, constituem respostas antecipadas do problema:


  •  Os oficiais formados na Academia Militar “Marechal Samora Machel” contribuem positivamente no PEA na ESFA.
  • O desempenho das funções de docência dos oficiais formados na AM contribui para o melhoramento do PEA dos Sargentos na ESFA.

   Quadro sinóptico de hipóteses, variáveis e indicadores
   Hipótese
Variáveis
Indicadores
Os oficiais formados na Academia Militar “Marechal Samora Machel”, contribuem positivamente no PEA na ESFA.

Variável independente (x)
Os oficiais formados na Academia Militar  “Marechal Samora Machel”
·         Técnicas  de formação;
·         Habilidades adquiridas na formação.
Variável dependente (y)
PEA na ESFA.
·         Métodos aplicados  no PEA;

O desempenho das funções de docência dos oficiais formados na AM, contribui no PEA dos Sargentos na ESFA.

Variável independente (x)
Desempenho de funções
·         Comportamento dos oficiais formados na AM;
Variável dependente (y)
PEA na ESFA
·         Métodos aplicados  no PEA.
Fonte: autor, 2011

1.6.         Procedimentos Metodológicos

Os procedimentos metodológicos da pesquisa devem ser entendidos como “(…) conjunto detalhado e sequencial de métodos e técnicas científicos a serem executados ao longo da pesquisa, de tal modo que se consiga atingir os objectivos inicialmente propostos (…)”                ( BARRETO; HONORATO (1998) apud  IVALA, HDEZ e LUÍS,( 2007:26).

1.6.1.      Métodos de Abordagem

Método de abordagem é a ordem que se deve impor aos diversos processos necessários para atingir um resultado desejado, constituído de um conjunto de técnicas que formam os passos do caminho a percorrer na busca da verdade, (PINTO, 2010:34).

Para tal, para a concretização deste trabalho recorreu-se ao método  indutivo  que,  para  Lakatos e Marconi (2003:86), “a aproximação dos fenómenos caminha geralmente para planos cada vez mais abrangente, indo das constatações mais particulares as leis e teorias”.
Assim, os conteúdos foram seleccionados de forma particular e depois, os resultados serão generalizados.

1.6.2.      Tipo de pesquisa

Trata–se de uma pesquisa explicativa. Que segundo Gil (1991)  apud SILVA & MENEZES  (2001:21), este tipo de pesquisa tem como objectivo principal identificar os factores que determinam ou contribuem para o acontecimento dos factos.
Por isso de acordo com os objectivos traçados a pesquisa encontrou as contribuições que os oficiais formados na AM dão para a formação dos Sargentos na ESFA.

1.6.3.      Técnicas  de colecta dos dados

Foram usados como instrumentos de colecta de dados: a observação assistemática, a entrevista e  questionário. Para o tratamento dos dados, usou-se o método estatístico.

1.6.3.1.Observação assistemática

Tendo em conta a natureza deste trabalho de pesquisa, utilizou-se a observação assistemática  com o objectivo de verificar os  procedimentos usados durante o PEA ministrados pelos oficiais formados na AM; ainda, esta técnica, também, permitiu observar e compreender certos comportamentos dos mesmos oficiais.

1.6.3.2. Entrevista

De acordo com Silva e Menezes (2001:33), a entrevista “é a obtenção de informações de um entrevistado, sobre determinado assunto ou problema”.

Para este trabalho, o autor usou a entrevista padronizada ou estruturada. Ela consistiu num roteiro previamente estabelecido, com o objectivo de fazer completamento de dados colhidos no questionário, e foi  dirigida, exclusivamente, ao Director Pedagógico da ESFA.

1.6.3.3. Questionário

De acordo com Lakatos & Marconi (2003:201), Questionário “é um instrumento de colecta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas sem a presença do entrevistador”.

Para o presente trabalho, as perguntas do questionário foram do tipo abertas e fechadas e foram colocadas aos chefes dos Ciclos por forma a colher as suas sensibilidades em relação ao assunto.
Para Menezes e Silva (2001:34), as técnicas de colecta de dados proporcionam uma interacção entre o autor e o informante.

O uso dessas técnicas ajudaram, positivamente na pesquisa porque serviram de meio para a colecta de dados indispensáveis para o alcance dos objectivos pretendidos.    

1.7. Método estatístico

Esse método  permite comprovar as relações do fenómeno entre si e obter generalizações sobre a sua natureza da ocorrência, (LAKATOS & MARCONI, 1999:83). Durante o estudo deste tema o autor recorreu a este método para a produção de tabelas e gráficos que o trabalho contempla, calculados em valores percentuais.

1.8.  População e amostra

1.8.1. População alvo ou universo

Constitui população alvo da pesquisa, os oficiais da Direcção Pedagógica da Escola de Sargentos das Forças Armadas “General do Exército Alberto Joaquim Chipande”.

1.8.2.      Amostra

Do universo anteriormente descrito, tomou-se como amostra 20 oficiais, dos quais: 1 (um),  é  Director pedagógico e os restantes 19 (dezanove) são Chefes dos Ciclos.
Tabela nº 2: Tabela ilustrativa da  categoria de amostra do estudo
                            Categoria da amostra

Total

Percentagem
Director Pedagógico
Chefes dos  Ciclos
1
19
20
100%
 Fonte: autor 2011

CAPÍTULO II: 

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para a elaboração deste trabalho o autor serviu-se de  diversas obras e algumas teorias relacionadas com a formação profissional e PEA.

Termos - Chave  da pesquisa e as suas definição

Contributo, é concorrer para a realização de determinado fim, cooperar, colaborar, ajudar, ter parte num resultado, (COSTA et all 2004:412).

Formação é um processo de transmissão de conhecimentos, hábitos, habilidades e valores com vista a elevar a qualificação do individuo para responder as exigências da sua função de corrente da mudança.( Levieque, 2007:95),

PEA é definida por Tavares & Alarcão (1990: 86) como uma construção pessoal, fruto de um processo de experiência interior à pessoa e que se traduz numa modificação de comportamento relativamente estável.

Ensino-aprendizagem é o conjunto de acções em que se articulam as actividades de transmissão e de aquisição de informações e conhecimentos (GOMES, 1991:1).

Aprendizagem é um processo de aquisição e assimilação, mais ou menos consciente, de novos padrões novas formas de perceber, ser, pensarem e agir. (SCHMITZ, apoud PILETTI, 1991:31),

Sargento é um grupo de patentes hierárquica, ou seja, uma posição hierárquica existe na maioria das forças armadas e em algumas forças de segurança. (SOBRAL, 2008).

Sargento é uma categoria hierárquica inferior à dos Oficiais e superior à dos praças. Uma categoria hierárquica corresponde ao conjunto formado por um ou mais grupos de patentes. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sargentos (militar))

2.1.         Formação profissional
Pérez[1] (2002), apud Martins (2004:241), afirma que “Formação profissional nas organizações torna-se, importante  porque pode ajudar a atrair, desenvolver e reter os empregados excelentes”.

Deste modo, a formação dos RH  pode ajudar a contribuir no aumento  do nível de compromisso dos empregados com a organização e, como consequência, aumento da rentabilidade da mesma, através de uma maior eficiência, produtividade e qualidade, assim como menores níveis de rotação  dos empregados da organização.

Domingues (2003:397) considera a formação profissional como sendo um conjunto de mecanismos pedagógicos propostos ao funcionário a fim de lhe permitir adaptar-se às mudanças estruturais e às modificações do trabalho implicado pela evolução tecnológica e de favorecer a sua evolução profissional.

A par da alteração dos seus comportamentos profissionais e o desempenho das equipas de trabalho, melhora-se a produtividade dos trabalhadores, por forma a concorrerem para o alcance dos objectivos organizacionais.

Segundo Goldstein e Gessener apud Levieque (2007:89), “a formação profissional é uma aquisição sistemática de competências, normas, conceitos ou atitudes que origina um desempenho melhorado em contexto profissional.”

Seja qual for o conceito adoptado, fica claro que a formação profissional é fundamental para a formação da personalidade. Contudo, hoje em dia, a formação profissional vem como resposta aos desejos dos empregadores e às necessidades das empresas com objectivo de contribuir em grande escala para o alcance dos objectivos em ambas partes, isto é, a satisfação pessoal para o empregado e a performance económica do empregador.
Peretti[2] (1998) e Ceitil[3] (2002) apud Martins (2004:247) indicam que compete à formação dar corpo a uma política que deve responder a um duplo objectivo:

  •   Permitir adaptar os recursos humanos às mudanças estruturais e às modificações das condições de trabalho, resultantes da evolução tecnológica e da evolução do contexto económico;

  • Permitir determinar e assumir as inovações e alterações a realizar para assegurar o desenvolvimento da empresa.
Numa perspectiva realmente estratégica, considera autor este que a formação profissional se destina para fornecer à empresa as competências necessárias ao seu desenvolvimento e ao seu progresso, articulando as necessidades individuais de formação com as necessidades em competências nucleares, garantindo, assim, o sucesso nas empresas no futuro.

2.2.         2.2.  Formação profissional nas Forças Armadas

A Defesa da Nação é uma actividade desenvolvida pelos cidadãos, e visa assegurar a independência e a unidade nacional, preservar a soberania, a integridade e a inviolabilidade do país e garantir o funcionamento normal das instituições e a segurança dos cidadãos contra qualquer ameaça ou agressão armada, (artigo 7 do conceito Estratégico de Defesa Nacional)[4].

No artigo 8, do mesmo documento acima referenciado, estabelece-se: a componente militar da defesa nacional que é a assegurada pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Sendo Forças Armadas uma organização que tem como missão garantir a integridade territorial do Estado, esta também participa no desenvolvimento económico, social do país.

Nesse contexto, surge a necessidade de  formar,  profissionalmente, os seus quadros. A aquisição do conhecimento passou a ser um dos inputs[5] essenciais relativamente às novas concepções de aprendizagem organizacional, (DOMINGUES, 2003:396).

De referir que a principal razão pela qual as organizações formam o seu pessoal, prende-se com uma tentativa de eliminar ou antecipar as deficiências no desempenho organizacional devido aos elevados níveis de desenvolvimento tecnológico que o mundo assiste .

De acordo com Levieque (2007:92), o diagnóstico de necessidade de formação é um processo que visa identificar as carências de formação dos colaboradores, face as competências requeridas as estratégias da empresa e as exigências do posto de trabalho.

Assim, a política de formação segundo Domingues (2003:396), deverá ter como preocupação, a consolidação das aprendizagens, ao mesmo tempo, que deverá acompanhar as mudanças previsíveis.

Do ponto de vista da gestão eficiente dos RH, segundo Ferreira (1986:172), não basta facultar ao homem, apenas os recursos e meios materiais que lhe possibilitem a realização do trabalho. É preciso, também que se cuide de sua preparação, de seu adestramento para que a eficiência seja alcançada.

Baseando-se nestas teorias, é de afirmar que a formação profissional visa a aquisição de conhecimentos, capacidades, atitudes e formas de comportamento exigidos para o desempenho das funções em qualquer ramo de actividade, e que está voltada para a aquisição de competências profissionais.

Para Torquato (2002:06), o profissional possui conhecimentos específicos, estando potencialmente capacitado para estabelecer abordagens abrangentes da sociedade e da empresa. Daí que a profissionalização reflecte-se no aumento da qualificação requerida aos indivíduos em termos de conhecimentos técnicos, científicos, habilidades, que visam melhorar a prestação de serviços dos colaboradores da organização.

Awortwi (2007:25), nos seus estudos indicou que a formação dos RH em Moçambique, constitui apenas um fenómeno recente e terá ainda que atingir os seus objectivos a um nível significativo. Ainda o mesmo autor acrescentou que, dentro do mesmo contexto, estas observações, indicam que embora a estratégia global pareça ter claramente articulado as intervenções críticas na área, não haverá nenhuma modernização do estado sem um programa determinado e sustentável de formação dos funcionários públicos.

É claro que de acordo com as abordagens feitas por vários autores, em prol da profissionalização, as FADM devem apostar na formação dos seus quadros permanentes para permitir que estas participem claramente na segurança da defesa nacional, bem como na modernização do país, ligando os interesses e as necessidades dos militantes das FADM aos objectivos do governo e da sociedade em geral.

2.3.          Formação Militar
No Guião do estudante Assistência e Formação para operações de contingência em África, ACOTA (2009:1-1),  afirma-se que o principal objectivo do estabelecimento da formação militar é providenciar às forças operacionais, pessoal treinado que possa manter um alto nível de prontidão. A formação militar deve alcançar pelo menos três objectivos:

  •  Desenvolver conhecimentos, capacidades e atitudes;
  • Produzir alterações de comportamentos;
  • Atingir objectivos específicos.
Ainda segundo este guião o foco da formação militar consiste em prepara indivíduos para desempenhar os deveres do trabalho para qual foram nomeados. O seu desafio consiste em ajudar outros a  aprender.
A formação militar envolve muitos elementos, em que o docente ou instrutor é a chave de todo processo e para o sucesso dos militares em formação, depende em grande parte da eficácia da formação  que os indivíduos formadores ou docentes recebem durante a formação e depende do seu compromisso no desenvolvimento das qualidades profissionais do formador militar ou docente.

2.4.  A formação de Oficiais na Academia Militar “Marechal Samora Machel”

2.4.1.Cursos de formação de oficiais

A alínea a) do nº 2 do artigo 6 do Regulamento da AM advoga que os cursos de formação de oficiais (CFO), conferem o grau de Licenciatura em Ciências Militares nas especialidades de: Infantaria, Artilharia, Blindados, Pilotos, Marinha, Fuzileiros navais, Engenharia militar, Engenharia Aeronáutica, Engenharia Naval, Comunicações e Administração Militar. O ensino ministrado nos CFO da AM deverá ter um carácter objectivo e dinâmico, visando a formação global e integral dos estudantes como chefes militares e como cidadãos, definidas no estatuto da AM. (nº 1, artigo 58, decreto nº 62/03 de Dezembro, Regulamento da AM).

a)      Formação científica geral
A formação científica geral deverá ser ministrada nos primeiros anos dos CFO, servindo de suporte quer ao desenvolvimento e compreensão das matérias de cada curso, quer futuramente, á aquisição de novos conhecimentos decorrentes da acelerada evolução do conhecimento, numa perspectiva de valorização profissional permanente, como condição de acesso aos sucessivos níveis da hierarquia, (nº 1 artigo 59, decreto nº 62/03, de 24 de Dezembro, Regulamento da AM).

A formação científica de base geral recebida, durante a formação na AM, visa proporcionar aos oficiais formados, os conhecimentos e a dinâmica intelectual essenciais ao permanente acompanhamento da evolução do saber quer na área militar assim como na área social.

b)     Formação científica de índole técnica
Segundo o nº 1 do artigo 60, do Regulamento da AM, esta formação deverá merecer a melhor atenção no contexto geral da formação dos futuros oficiais dos quadros permanentes, face ao desafio das novas tecnologias e do extraordinário tecnismo armamento e dos métodos de guerra, destinando-se a satisfazer as qualificações profissionais indispensáveis aos exercícios de funções técnicas, no âmbito de cada uma das especialidades das FADM,

Esta formação é indispensável aos oficiais dos quadros permanentes das FADM para o desempenho das funções técnicas e possível contribuição para o desenvolvimento científico da prática militar, com vista a satisfazer as qualificações profissionais indispensáveis ao desempenho das funções.

c)      Formação comportamental
A formação dos alunos, na área das ciências do comportamento, deverá constituir preocupação fundamental e objectiva na compreensão dos valores culturais patrióticos que consubstanciam a instituição militar, atento às tradições das FADM e a identificação com o sentimento profundo da defesa nacional, (nº 1, artigo 61,  Regulamento da AM).

A formação comportamental é responsável pela educação cívica e moral. Tem objectivo de desenvolver aos oficiais em formação os atributos de carácter, alto sentido do dever patriótico, honra e lealdade, culto da ordem e da disciplina e as qualidades de comando e chefia inerentes à condição militar.

d)     Formação física e adestramento militar
Preparação física e adestramento militar, visam conferir aos estudantes a aptidão física e o treino indispensáveis ao cumprimento das suas futuras missões, (nº 1, artigo 62, decreto nº 62/03, de 24 de Dezembro, Regulamento da AM).

A formação física e adestramento militar está em prol do vigor físico devido as atribuições que o militar desempenha, não só por circunstância de conflitos, para os quais deve manter-se sempre preparado, mas também em tempo de paz, exige-se um elevado nível de saúde física e mental.

2.5.1.       Escola de Sargentos das Forças Armadas“General do Exército Aberto Joaquim Chipande ”.

Sob prisma geográfico, Escola de Sargentos das Forças Armadas é uma instalação militar que se localiza na Província de Maputo, Distrito de Boane, cerca de 30 km a sudoeste da Cidade de Maputo.

Segundo o diploma Ministerial nº 68/2008 de 30 de Junho, A Escola de Sargentos das Forças Armadas “General de Exército Alberto Joaquim Chipande”, surgiu como necessidade de garantir a formação de Sargentos para os quadros permanentes das FADM e de proporcionar uma sólida preparação de base.

a)      Denominação e natureza
A Escola de Sargentos das Forças Armadas “General de Exercito Alberto Joaquim Chipande”, abreviadamente designada por ESFA, é um estabelecimento militar de ensino médio das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, na dependência do Chefe do Estado – Maior General e desenvolve actividades de ensino e de apoio à comunidade.

b)     Missões e objectivos
A ESFA tem por missão essencial formar Sargentos  para os quadros permanentes das FADM, (nº 1, artigo 4, estatuto da ESFA, 2008);
De acordo com o artigo acima mencionado no nº 2, nas alíneas a)  b) e c), constituem os objectivos da ESFA:

a)   Proporcionar aos sargentos uma sólida preparação de base de nível médio em moldes idênticos aos dos institutos de ensino médio e outras instituições de ensino médio, preservando o património histórico e experiências militares de que o pais dispõe e orientada por um conjunto de qualificações e competências aplicáveis á complexidade e diversidade resultantes da servidão da sociedade no contexto da defesa nacional;

b)       Garantir uma formação técnico-científica de nível médio através da aquisição de conhecimentos e dinâmica intelectual indispensáveis ao contínuo processo de acompanhamento do saber.

c)      Proporcionar aos sargentos uma formação científica para a satisfação das qualificações profissionais essenciais no âmbito do exercício das actividades da defesa militar;

d)     Assegurar o desempenho nas funções de comando, direcção e chefia como educadores e instrutores no processo de desenvolvimento da componente militar da Defesa Nacional.

2.5.2.      Actividades realizadas na ESFA
No quadro das atribuições segundo o nº1 do artigo 5 do estatuto da ESFA, desenvolve actividades de ensino, instrução e de apoio á comunidade.

Actividades de ensino e de instrução, tem com finalidade formar sargentos para os quadros permanentes nas várias especialidades das FADM. As actividades de ensino têm carácter presencial, obrigatório e desenvolvem-se através de aulas teóricas e teórico-práticas, práticas de laboratório, exercícios de campo, estágios, complementadas por conferências e visitas de estudo. (Artigo 40, RESFA).

Realiza cursos de especialização, promoção, qualificação, actualização e outros de interesse para as FADM, consoante as necessidades do Chefe do Estado.

No domínio das áreas técnicas que integram os planos de estudo das especialidades do CFS, a ESFA pode promover actividades técnicas que visem a formação metodológica dos seus alunos e a melhoria do ensino. (Artigo 45, RESFA).

No âmbito da sua missão (artigo 4, do estatuto da ESFA), a ESFA, pode estabelecer acordos com outros estabelecimentos congéneres sob autorização do CEMGFA, tendo em vista:

a) A realização ou coordenação de projectos de desenvolvimento integrados em objectivos de interesse nacional, nomeadamente na área da defesa.

b) A utilização recíproca de recursos humanos e materiais disponíveis.

2.6.         Curso de Formação de Sargentos (CFS)

Sargento é um grupo de patentes que existe na maioria das forças armadas e em algumas forças de segurança.[6] A patente de Sargento é de acordo com as Forças Armadas de cada pais ou blocos militares, que podem estar integradas à uma determinada categoria das Praças ou então constituírem  uma categoria específica para caso das FADM designa-se por classe de Sargentos.

Formação de sargentos destina-se de acordo com os respectivos quadros especiais ou especialidades e postos, ao exercício de funções de comando e chefia de natureza executiva de carácter técnico, administrativa - logístico e de instrução, (nº 2 artigo 136, decreto nº 46/06, de 30 de Dezembro, estatuto dos militares).

De acordo com o nº 3 do artigo acima citado, os quadros especiais referentes a esta formação desenvolvem-se, consoante as necessidades da estrutura orgânica de cada ramo das FADM, segundo os postos previstos na alínea d) do artigo 26 do mesmo estatuto.

Segundo o artigo 19 do estatuto da ESFA, a ESFA ministra cursos de Formação de sargentos (CFS), conferindo o grau de técnico médio militar nas especialidades: Infantaria, Artilharia, Blindados, Engenharia, Reconhecimento, Administração Militar, Mecânica auto e blindados, Manutenção de material, operadores, Mecânicos, Fuzileiros, Máquinas, Mergulhadores e manobras e serviço.

Para a orientação do ensino na ESFA, o  nº1 do artigo 21 estabelece que: o ensino ministrado nos CFS engloba as seguintes vertentes:

a)      Formação técnica de nível médio com vista a assegurar a aquisição de conhecimentos e da dinâmica intelectual essenciais ao aluno para permanente acompanhamento da evolução do saber;
b)      Formação técnica e tecnológica destinada a satisfazer as qualidades profissionais indispensáveis ao desempenho das funções técnicas no âmbito de cada uma das especialidades das FADM;
c)      Formação comportamental consubstanciada numa sólida educação militar, moral e cívica, tendo em vista desenvolver nos alunos os atributos de carácter, alto sentido de dever da honra e lealdade da disciplina, culto da ordem e qualidades de comando e chefia inerentes à condição militar;
d)     Preparação física e adestramento militar, visando  conferir aos alunos o desembaraço físico e o treino indispensáveis ao cumprimento das missões futuras.

A Educação Física é considerada como "um elemento essencial para a formação geral do Homem", VAGO (1993:213).

2.7.            Processo de Ensino - Aprendizagem

De acordo com o estatuto da ESFA no artigo 22, o PEA esta organizado da seguinte forma:

  • Os planos curriculares das especialidades do CFS compreendem áreas técnicas de índole estreitamente académica e áreas disciplinares de instrução e treino;
As alterações dos planos curriculares das especialidades e sua duração e estrutura curricular são efectuadas nos termos do Estatuto da ESFA.

  • Os planos curriculares são organizados de acordo com as regras gerais aplicáveis nos estabelecimentos públicos de ensino técnico profissional observando as directivas emanadas pelos órgãos centrais das FADM;
O currículo da ESFA orienta-se entre como outros currículos pelos princípios gerais e pedagógicos definidos nos artigos 1 e 2 da Lei nº 6/92,  de 6 de Maio, que aprova o sistema Nacional de Educação.
Aos Sargentos graduados pela ESFA são conferidos certificados de habilitações literárias de nível médio que pode ser aproveitado para fins públicos.

  •  O CFS engloba estágios de duração variáveis, com finalidades de proporcionar aos alunos habilidades para aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos;
Estes estágios são para estudantes do último ano e são de carácter técnico profissional designados por tirocínios para sargentos que acontece nas escolas práticas das especialidades ou nas unidades militares, de duração variável e programação em função das especialidades e com o ramo, com a finalidade de facultar aos estudantes a aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos durante as aulas.

  • Os planos temáticos de disciplinas que integram os planos de estudo são aprovados  pelo comandante da escola.
As normas gerais reguladoras do CFS, incluindo o funcionamento e os critérios classificativos adoptados, constam no regulamento interno da escola de sargentos das forças armadas aprovado por despacho do CEMGFA, mediante a proposta do Comandante da ESFA. E compete ao comandante da ESFA a aprovar os programas das diversas disciplinas que integram os planos do CFS.

2.8.            Corpo Docente

No Capitulo V do estatuto da ESFA, artigo 26 estabelece que: o corpo Docente é constituído por professores e instrutores, militares e civis. Com efeito, o artigo 27, nos seus nºs 1 e 2 fundamenta que os professores militares são oficiais dos quadros permanentes da FADM, detentores de atributos curriculares e de comprovada competência técnica e pedagógica para o exercício da suas funções e os que leccionam as cadeiras básicas clássicas têm habilitações mínimas de bacharelato e os da cadeiras militares têm habilitações mínimas de técnico médio militar.

Para o caso de instrutores militares são Sargentos detentores de atributos curriculares e de comprovada competência técnica e pedagógica para o exercício das suas funções, como aparece expressamente consagrado no artigo 28.

Segundo artigo 29, os Professores civis são individualidades de reconhecida competência técnico pedagógica para o exercício das suas funções, devendo o respectivo recrutamento e qualificações reger-se por lei em vigor no pais.

Conforme o artigo 30, os instrutores civis são recrutados dentre técnicos médios profissionais ou individualidades comprovadamente qualificadas para ministrar matérias para as quais não existam ou não estejam disponíveis especialistas militares.

O Recrutamento e Selecção do Corpo docente da ESFA (artigo 31) esta é feita por escolha de entre os existente entre os oficiais que reúnam os requisitos exigidos. O n 2 do citado artigo 31 acrescenta que para os professores civis e instrutores é feito por concurso documental, nos termos previstos na legislação aplicável a contratação para prestação de serviços.

2.9.    Funções Gerais do Docente

As funções do docente estão referenciados nas alíneas a), b), c) e d) do artigo 32 do estatuto acima citado são:
  • Reger as disciplinas;
  • Leccionar as aulas teóricas, teórico-prática e praticas (trabalhos de laboratório e exercícios de campo);
  • Cooperar na orientação e coordenação pedagógica de uma ou de um grupo de disciplinas;
  • Exercer outras funções escolares,

No n2 do artigo acima referenciado enaltece que, as atribuições de funções ao docente é feita de acorde com a qualificação que possui ou nos termos do contrato estabelecido.

2.10.    Contributo do docente para a melhoria do PEA

O interesse é o nível de concentração ou atenção que um estudante dedica à apresentação da lição, curso ou formação e o docente tem a responsabilidade de obter e manter o interesse do estudante, para que se alcance o objectivo.

Para o bom rendimento e sucesso do processo de aprendizagem depende em primeiro lugar da forma como o estudante são motivados para a aprendizagem, razão pela qual se diz que a tarefa principal do docente é estimulação dos estudantes, a criação de interesse, motivação, reforço e necessidades de aprender.

Motivação, de acordo com o guia do estudante ACOTA (2009:3-9), “ motivação é o processo de incitar alguém a aprender”. E meta da formação é motivar o estudante para alcançar os objectivos do curso ou formação.

Para Barbosa (2005: 21-23), motivação é o desejo de satisfação de necessidades e um conjunto de factores que determinam a conduta de um indivíduo, gerados pelo facto de o ser humano ser um animal social por natureza.

Reforço é definido por MWAMWENDA (2009:173), como estimulo que aumenta a probabilidade de ocorrer uma determinada resposta, o reforço continuo facilita o domínio da actividade com rapidez razoável correcta pretendida pelo instrutor ou professor. Ainda este salienta que o reforço é vantajoso no sentido em que acelera aquisição ou aprendizagem do novo comportamento.

Gagne e Berliner apud Mwamwenda (2009: 257),  diz que “ se se pensa que o professor é a pessoa responsável pela aprendizagem do aluno, e que a aprendizagem é definida como a mudança de comportamento, então a função  primeira do professor é mudar o comportamento do aluno”.

Dai que se encoraja ao docente uma competência disciplinar só que o mesmo deve ter em conta todos aspectos que possam culminar com um bom rendimento e sucesso para tal formação:
  • O docente deve assegurar que o plano de lição é desenvolvido tendo em conta pressuposto acima referenciado por Mwamwenda;
  • Uma lição interessante deve ser cuidadosamente planeada e executada para obter e manter o interesse e participação dos estudantes;
  •  Interesse; segundo ACOTA(2009:3-5), “ factores de interesse são métodos de apresentação e técnicas utilizadas para ganhar, manter e aumentar o interesse dos estudantes durante a aula ou instrução”.
A combinação dos factores de interesse, as técnicas do docente e os métodos de ensino vão apoiar a comunicar os objectivos de aprendizagem contribuindo deste modo a um bom rendimento pedagógico.
  • Interesse do estudante; o estudante aprende melhor quando esta motivado e interessado, alguns são auto motivados e outros precisam que lhes motivem.
Neste caso é chamado a responsabilidade do docente em mostrar a importância da lição, curso ou formação com vista a cativa-los.


CAPÍTULO III: 

APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Este capítulo diz respeito a apresentação, analise e interpretação dos dados colhidos através das técnicas de colecta de dados, como observação assistemática, questionário e entrevista. 

De acordo com Marconi e Lakatos (2003:35), “na análise e interpretação dos dados o pesquisador entra em detalhes dos dados colectados afim de conseguir as suas indagações e procurar estabelecer as relações necessárias entre os dados obtidos e as hipóteses formuladas”.

3.1.         Apresentação, análise e interpretação dos dados obtidos a partir do questionário

Aqui pretende-se fazer uma análise sumária de certos aspectos significativos apresentados pelos inqueridos, com vista a apurar a veracidade do fato em estudo, a comprovação das hipóteses e o alcance dos objectivos.

Com objectivo de saber se os oficiais formados na AM contribuíam de forma positiva, no PEA na formação de Sargentos para o quadro permanente das FADM, naquele estabelecimento de ensino. Colocou-se a seguinte pergunta: Acha que a afectação de oficiais formados na Academia Militar na ESFA contribui positivamente para PEA?


Tabela n3: Percepção  dos Chefes de Ciclos sobre contributo de oficiais formados na AM para o  PEA na  ESFA
Contestações ou objecções
Questionados
Percentagem
 SIM
15
79%
NÃO
0
0%
TALVEZ
4
21%
Total
19
100%

Fonte: autor, 2011

Dos 19 (dezanove) Chefes de Ciclos  de acordo a tabela 3(três); 15 deles que correspondentes a  79% afirmaram que SIM e,  os restantes 4 equivalente a 21,%, responderam que TALVEZ.

Feita a análise destas declarações, verifica-se que esse grupo de oficiais, contribui para a melhoria do PEA, na escola avaliar as aulas de como são ministradas; há um esforço conjunto entre estes oficiais e os experientes, com vista a mostrar os conteúdos da matéria para que o formando saia da ESFA e possa tornar-se um profissional, como resultado de uma dinâmica do PEA.

De acordo com o Guião de ACOTA (2009:1-1), é no posto de trabalho onde os efeitos do PEA são validados visto que o formado é chamado a provar se a formação foi bem sucedida e aproveitada através de resolução de problemas laborais.

Auxiliando-se com o método de observação assistemática, o autor notou durante as aulas dos oficiais formados na AM, que existe uma forte tendência do uso de meios informáticos. Contudo os meios informáticos estimula os alunos a desenvolver habilidades/capacidades intelectuais e novas tecnologias em  busca de mais informações sobre um dado tema ou assunto.

Estes meios para além de estimularem e desenvolverem habilidades aos alunos também despertam atenção aos alunos, permitem a participação da classe, os alunos podem participar activamente na aula por que o que esta sendo explicado eles tem a oportunidade de verem.   (figura n2)


fonte Autor:2011

Com vista a obter mais informações sobre o contributo dos oficiais formados na Academia Militar, colocou-se a seguinte questão: Que avaliação  faz sobre a contribuição dos oficiais formados na Academia   militar na formação dos Sargentos na ESFA?


Tabela n4: Percepção  dos Chefes de Ciclos sobre contributo de oficiais formados na AM para o  PEA na  ESFA
Contestações ou objecções
Entrevistados
Percentagem
Positiva
19
100%
Razoável
0
0%
Negativa
0
0%
Total
19
100%
Fonte: autor, 2011

Como mostra a tabela 4, dos 19 inqueridos, correspondentes a 100% afirmaram que o contributo é positivo e avalia-se em 100%.

Nesta questão verifica-se, que  às opiniões dos Chefes dos Ciclos, sobre a  contribuição dos oficiais formados na AM, mostra um desempenho imensurável, uma vez que para além da sala de aulas, eles participam em outras actividades de formação integral dos Sargentos naquela Instituição.

Segundo Chiavenato (1998:103) “avaliação é um processo para julgar ou estimar o valor, a excelência e as qualidades de uma pessoa”. O mesmo autor, continua afirmando ainda que, Esta avaliação permite ao avaliado conhecer os aspectos relacionados com o comportamento e desempenho que (…) a instituição valoriza, conhecer as expectativas do seu superior a respeito do seu desempenho, permite-lhe fazer auto-avaliação e autocrítica quanto ao seu auto desenvolvimento  e autócontrol.

Na tentativa de apurar o nível do grau de desempenho de funções  de docência dos oficiais formados na AM, para a melhoria do PEA, colocou-se a seguinte questão:  Na sua opinião, verifica-se uma melhoria no Processo de Ensino - Aprendizagem, com o desempenho de função de docência dos oficiais formados na Academia Militar?


Tabela n5: Percepção  dos Chefes de Ciclos sobre desempenho de funções de docência
Contestações ou objecções
Entrevistados
Percentagem
SIM
19
100%
NÃO
0
0%
Total
19
100%
Fonte: autor, 2011.


No que diz respeito a esta questão, como mostra a tabela 5, é de referir que dos 19 chefes dos Ciclos que corresponde a 100%, afirmaram que sim, existe uma melhoria no PEA com o  desempenho das funções de docência, por parte de oficiais formados na AM.

Segundo Pimenta e Anastasiou (2002: 214), a função de docente é caracterizada pelos desafios permanente dos profissionais da educação em estabelecer relações interpessoais com os educandos, de modo que o PEA seja articulado e que os métodos utilizados cumpram com os objectivos desejados.

Para Libâneo (2006: 15), a função de docente é uma das modalidades especificas da prática educativa mais ampla que ocorre na sociedade, e para se compreender a sua importância é preciso considerar o conjunto de tarefas educativas exigidas pela sociedade, conhecimentos da teoria e práticas da educação, sendo a pedagogia a ciência da teoria e prática da educação,

Sendo pedagogia  uma ciência que estuda as teorias e práticas da educação, o curso de formação de oficiais na AM não contempla esta componente, razão pela qual verifica-se um esforço e muita dedicação por parte destes oficiais ao desempenharem funções de docentes.

Como se pode compreender, nota-se, de maneira acentuada, que os oficiais que terminam a AM, buscam, na formação uma postura educativa e de comandante, este factor condiciona o seu modo de agir perante os formandos em aulas ou seus subordinados, modo de cumprir com seu dever como oficial do quadro permanente das FADM. Esta postura exerce uma influência sobre os formandos e estes, ao assimilarem essas influencias, tornam-se capazes de estabelecer uma relação e transformação da formação militar.

Alguns autores têm a opinião segundo a qual: “É o modo de agir do docente em sala de aula, que colabora para uma melhoria do PEA; fundamenta-se numa determinada concepção do dever do docente, que, por sua vez, reflecte nos valores e padrões da sociedade”. (ABREU & MASETTO, 1990: 115).

Segundo Libâneo (2006:17), não há sociedade sem prática educativa nem prática educativa sem sociedade. Cada sociedade deve cuidar da formação dos indivíduos, auxiliando no desenvolvimento de suas capacidades, prepara-los para o cumprimento dos seus deveres.

O desempenho de função de docente nos oficiais formados na AM são marcadas através de conhecimentos, experiencias adquiridas no tirocínio, valores e  modo de agir. 

Da análise feita pelo autor, conclui-se que a melhoria no PEA é visível por que estes oficiais formados na AM vêm aumentar o número de docentes qualificados que culmina com a diminuição da carga horária e descentralização de disciplinas que os docente acumulavam por insuficiência dos mesmos, dando tempo a estes para uma melhor planificação e preparação das lições.

A planificação e a preparação das lições é da responsabilidade do docente, este deve organizar o PEA. Ou seja, cabe aos docentes a responsabilidade de organizar a sua própria actividade, que se inicia com a planificação, seguindo-se a implementação do processo.

Para melhor perceber a questão do desempenho de funções levadas a cabo por oficiais formados na AM, o autor fez a seguinte questão: Os oficiais formados na Academia Militar participam activamente nas actividades da Escola, em particular para o Ciclo?

  Tabela n6: Percepção  dos Chefes de Ciclos sobre desempenho de funções de docência
Contestações ou objecções
Entrevistados
Percentagem
SIM
19
100%
NÃO
0
0%
Total
19
100%
 Fonte: autor, 2011.


Como se pode ver na tabela 6, dos 19 Chefes dos Ciclos questionados, correspondentes a 100%,  afirmaram que participam activamente nas actividades  da Escola, sobretudo nas actividades do Ciclo que, para estes, verifica-se um dinamismo na resolução de problemas do Ciclo e uma mudança na dissipação das dúvidas tiradas pelos formandos.

Nos Ciclos assim como na Direcção da Escola, todos os docentes participam nas actividades, inclusive os chefes dos Ciclos, assim como alguns Chefes dos gabinetes. Nas reuniões, acontecem discussões dos programas do Curso; e existem grupos de estudos formados, em que alguns são chefiados por oficiais formados na AM.

Durante essa actividade o oficial contribui e colabora, dando sugestão das coisas que estão acontecendo. Essas sugestões, para a chefia constituem,  mais um contributo para o sucesso da formação dos Sargentos.

Como membro da Escola, o docente deve dominar conhecimentos relacionados à organização e à gestão, desenvolver capacidades e habilidades práticas para participar nos processos de tomada de decisões nas reuniões, conselhos de classe, conselho de escola, (LIBÂNEO et al., 2009:311).

Da observação feita pelo autor constatou-se que existe uma interacção de conhecimentos entre os oficiais formados na AM e os oficiais formados em outras escolas, onde oficiais formados na AM  trazem conhecimentos teóricos e adquirem conhecimentos práticos que complementam a sua formação.

No entanto, os oficiais que não acompanham o ritmo do actual cenário das FADM, haverá falta de sintonia entre os procedimentos, métodos de ensino e o perfil dos militares, prejudicando o processo de formação.

Para melhor se esclarecer sobre o desempenho de funções dos oficiais formados na AM  colocou-se a seguinte questão: Que aspectos, positivos e negativos, contribuem para o grau de desempenho dos oficiais formados na Academia Militar na formação de Sargentos?

 Esta pergunta foi do tipo aberta. Perguntas abertas destinam-se para obtenção uma resposta livre como refere Cervo e Bervian (1996:138).

Tabela n7: Percepção  dos Chefes de Ciclos sobre desempenho de funções de docência

Contestações ou objecções
Entrevistados
Percentagem
Aspectos positivos e negativos
11
58%
Aspectos negativos
8
42%
Total
19
100%

 Fonte : autor, 2011


No que tange a tabela 7, dos 19 Chefes dos Ciclos que corresponde a 100%, 11 equivalente a 58% indicaram aspectos positivos e, 8, que corresponde a 42%, indicaram aspectos negativos.
Nesta questão, por sinal a última do questionário,  por ser do tipo aberta houve dois grupos com respostas diferentes.

A Avaliação de desempenho de uma função é um comportamento do avaliado no sentido de efectivar o alcance dos objectivos formulados. O desempenho constitui a estratégia individual para alcançar os objectivos pretendidos como referiu Chiavenato (1998:106).

Os aspectos positivos que contribuem para o bom desempenho de funções dos oficiais formados na AM, são: modo de ensinar, cultura de aprender, cumprimento dos seus deveres como oficiais do quadro permanente das FADM, muito empenho e dedicação, fácil assimilação nas actividades e as novas ideias proactivas trazidas por este grupo de oficiais.

Embora, alguns chefes de ciclos, considerem alguns aspectos negativos tais como: desavença na doutrina militar, enquadramento sócio económico, falta de residência, falta de material didáctico, excesso de confiança e absolutismo académico, falta de humildade em alguns casos, falta de cultura de aprender.
Estes aspectos tidos como negativos não obstam a progressão na carreira destes jovens oficiais, nem interferem no seu desempenho de funções que se diga relevante como foi enfatizadas por estes Chefes de Ciclo.

Para alguns, estes aspectos negativos constatam-se  devido a falta de uma doutrina comum entre os oficiais, antiguidade na carreira sem ascender outros postos, falta de credibilidade dos oficiais formados na AM e nas experiências de carreira.

A Avaliação de Desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada ocupante no cargo, bem como seu potencial de desenvolvimento. Esta avaliação recebe  denominações como avaliação do mérito, eficiência individual, relatório de progresso. (CHIAVENATO, 1998:103).

3.1.          Apresentação, análise e interpretação dos dados da entrevista

Neste ponto o autor pretende fazer uma análise dos aspectos  obtidos ao longo da entrevista com Director Pedagógico da ESFA, a qual teve  com objectivo obter esclarecimento sobre o assunto em estudo.

Com intuito de perceber se os oficiais formados na AM, afectos naquele estabelecimento de ensino, contribuem para da formação de Sargentos para o quadro permanente das FADM, o autor colocou a seguinte  questão: Senhor Director Pedagógico, relativamente ao Processo de Ensino–Aprendizagem, que mais valia a Escola de Sargentos tira, pelo facto de existirem oficiais formados na Academia Militar a desempenharem funções de docência?

O Director Pedagógico disse que as valias são múltiplas que  ESFA tira desse grupo de oficiais, falou da contribuição na uniformização e normalização dos princípios orientadores da doutrina em uso nas FADM e a clarificação dos conceitos sobre a formação técnico profissional. Sublinhou que o ensino superior qualifica o indivíduo com um conhecimento específico,  mais complexo, o qual possibilita ao  indivíduo  realizar uma função mais valorizada.

É no local de trabalho onde este assume o papel primordial de dinamizador de participação e de mobilização de todos os outros intervenientes, no sentido de os levar a darem o seu contributo para que a Escola possa realizar os seus objectivos, neste caso é dotar o futuro Sargento de conhecimentos para o cumprimento das suas missões.

Ainda, salientou que, ao nível da Direcção Pedagógica, estes jovens oficiais não só leccionam cadeiras de índole militar, como também leccionam outras disciplinas de natureza clássica, tais como: Matemática, Física, entre outras.

Como se vê o exercício das funções das docência, o docente torna-se, um facilitador pedagógico, onde, para além de outras actividades, este vê-se obrigado a motivar o aluno a buscar outros pontos de vista e criar desejo de aprender, propiciar a análise de práticas  e a sua reflexão crítica, promover a comunicação entre os alunos.

A segunda pergunta colocada, ao Senhor Director Pedagógico da ESFA, foi a seguinte: Como é que avalia o contributo dos oficiais formados na Academia Militar neste estabelecimento de ensino, visto que esses oficiais desempenham diversas funções em prol da formação dos Sargentos?

A questão do desempenho de funções, quer ao nível de docência, assim como de comando das tropas (Comandantes das Companhias), ele  avalia duma forma positiva, visto que algumas actividades da escola assim como dos Ciclos são realizadas com a participação directa destes oficiais. Estes são docentes de disciplinas, que sem sua participação, não seriam leccionadas por falta de pessoal qualificado.  

A formação militar envolve muitos elementos, em que o docente ou instrutor é a chave de todo processo. Para o sucesso dos militares em formação, depende, em grande parte, da eficácia da formação  que os formadores ou docentes recebem durante a sua formação, e também do seu compromisso no desenvolvimento das qualidades profissionais do formador militar ou docente, acrescentou o Sr. Director Pedagógico.

Feita a, analise, o autor conclui que a avaliação é muito importante, porque é através dela que se consegue fazer uma reflexão e avaliação  sobre o nível do desempenho de uma dada função, nesta ordem de ideia esta é vista como um instrumento de colecta de informação sobre contributo estes oficiais. 

Em relação a questão 3, o autor pretendeu compreender a questão relacionada com o desempenho de funções dos oficiais formados na AM em relação à existência de prováveis desavenças com outros oficiais, e por conseguinte colocou-se ao Sr. Director Pedagógico, a seguinte questão: Sob ponto de vista do Senhor Director Pedagógico que aspectos contribuem para o grau de desempenho desses oficiais formados na Academia Militar?

Relativamente aos aspectos que contribuem para o grau de desempenho, desse grupo de oficiais, o Sr. Director Pedagógico respondeu que são vários: por serem jovens oficiais, com um nível superior militar, já é um desafio.

Este explicou que quando recebeu o primeiro grupo dos oficiais formados na AM colocou-lhes um desafio: deviam ser humildes, deixar de  parte o nível académico de modo que possam  integrar no seio dos outros oficiais, que, segundo ele, foi cumprido, pois até agora existe um bom relacionamento entre oficiais mais antigos e este grupo de jovens oficiais.

Sublinhou que é preciso  acarinhar, ensinar e dar trabalho aos oficiais formados na AM, este adiantou, ainda, que a formação destes jovens oficiais não termina na AM, mas sim continua durante o desempenho das funções a estes incumbidas, eles participam como forma de continuarem com a formação, quer no âmbito cientifico quer no âmbito sócio cultural. 

Este continuou afirmando que nem sempre o ambiente de trabalho é como desejamos, temos de lidar com inúmeras situações, vários tipos de opiniões, e por sermos tão diferentes um do outro, as vezes, temos desavenças, (…).

Relativamente a essa questão, o autor conclui que o local de trabalho é onde se troca experiências, onde todos vivem uma parte da sua vida. A instituição militar não foge à regra, pois ela é vista como um espaço de interacção e as formas de participação dos seus intervenientes é de acordo com a acção dos que fazem parte.

Deste modo, é o bom convívio que orienta a interacção e o contributo de cada um, para a prossecução das actividades. É na conjugação destes factores que contribui para o bom grau de desempenho das funções definidas por forma a que, cada um esteja na organização sem interferir na jurisdição do outro.

Tendo em conta a percepção sobre a motivação dos formandos , em relação a desempenho de oficiais formados na AM, colocou-se a seguinte questão: Na opinião do senhor Director Pedagógico Adjunto, acredita que existe motivação  por parte dos formandos ao trabalharem com este grupo de oficiais?

O Sr. Director Pedagógico respondeu que sim, existe motivação. Essa é bem visível uma vez  que os oficiais formados na AM não só desempenham funções de docência, mais também desempenham funções de comando das tropas (Comandantes de Companhias), que de certa forma contribui para o PEA.  

Ainda, salientou que devido ao aprofundamento dos conteúdos da formação teórica e prática que estes oficiais tiveram durante a formação na AM permite-lhes a possibilidade de produzir novos conhecimentos e dinamismo de como tratar os factos, dando mais incentivos aos Sargentos em formação.

Motivação é um conjunto de variáveis que activam a conduta e a orientam em determinado sentido para poder alcançar um objectivo, dessa forma, estabelecendo acções que leva o estudante a alcançar seus objectivos, (FITA, 1999:77).

A partir da opinião do Director Pedagógico conclui-se que a  motivação do docente dependerá da sua formação, isto é, uma formação adequada, devendo, para tal, ser capaz de comunicar ou se expressar, representando algo que chame atenção ao estudante.
O docente para pôr em prática a comunicação, não deve colocar-se na posição de portador do saber, deve antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo, reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do conhecimento  importante para a vida, ( GADOTTI, 1999: 2).

A quinta e última pergunta da entrevista visava entender certas considerações sobre a afectação dos oficiais formados na AM, na ESFA e, por isso, foi colocada a seguinte questãoQual é o comentário que faz sobre as afectações dos oficiais formados na Academia Militar? 

Quanto ao assunto das afectações o Sr. Director Pedagógico somente fez apenas uma observação: deve-se dar mais atenção as Escolas Práticas de Formação e Centros de Instrução porque há falta de oficiais qualificados e estes jovens oficiais, também, podiam aprender mais. A Academia Militar não termina com a Cerimónia de Graduação, mas sim começa com a parte prática (nas unidades militares) que envolve todo conjunto de procedimentos aprendidos durante a formação.

A pesar deste assunto estar ao nível mais alto este Director Pedagógico adiantou que a ESFA está a fazer um trabalho junto ao EMG com vista a ter mais efectivo devido ao aumento de mais especialidades e o número de candidatos que aumenta em cada ano.  
                                                          
3.2.          Discussão e comprovação das hipóteses
Este trabalho foi acompanhado por duas hipóteses; de acordo com as respostas dadas às questões de entrevista há toda necessidade de submeter à sua comprovação, em função dos resultados obtidos na pesquisa.

3.2.1.      Os oficiais formados na Academia Militar “Militar Samora Machel”, contribuem positivamente no PEA na ESFA”
Com essa primeira hipótese levantada constatou-se que todos oficiais da Direcção Pedagógica da ESFA comungam a ideia de que os oficiais formados na AM contribuem positivamente no PEA, estes dados são referentes a questão 1 do ponto 4.1, outro dado importante levantado foi da questão 2 do mesmo ponto onde todos foram unânimes ao afirmar que avaliação do contributo é Positiva sem deixar sombra de dúvidas.
Da analise feita, o contributo destes oficiais estendeu-se quase em toda escola, por conta da actuação directa dos dos mesmos, em grande parte na área pedagógica como docentes,  foram os pioneiros a  ligação mais directa do uso de tecnologias de informática.

Entretanto, constatamos que a principal função que estes oficiais desempenham é a docência, as outras áreas que simultaneamente desempenham funções é devido a insuficiência de oficiais. A contribuição no PEA no curso ou melhor na Escola está relacionada ao domínio/controle de turma e das companhias que estes comandam.

A competência pedagógica é o domínio da actividade do professor no processo pedagógico, entendido como uma relação de reciprocidade entre alunos e professor, sob a direcção deste.
Outra principal contribuição está relacionada a elaboração do plano de aulas, actividades da escola e do ciclo, actividades recreativas.

Em relação a entrevista feita ao Director Pedagógico os dados (cfr. 4.2 Questão 1 e 2) apontam que o contributo desse grupo de oficiais é notório e muito fundamental para a formação dos Sargentos.


Ainda acrescentou que o curso de Licenciatura visa formar o individuo para actuar numa determinada sociedade no sentido de desenvolver acções teórico-práticas em que os conhecimentos e saberes académicos contribuam na formação do ser humano em sua totalidade; possibilitar uma formação social, dentro da abordagem da sociedade, em diferentes; possibilitar uma formação técnico-profissional visando o aperfeiçoamento de habilidades, capacidades e competências necessárias ao exercício profissional.

O pesquisador verificou no local, para provar e clarificar a hipótese, e notou que tudo que a colectividade da ESFA faz esta em prol da formação dos Sargentos. Para os oficiais formados na AM, estes sentem necessidades de crescimento e desenvolvimento pessoais, por que compreendem a grande responsabilidades das suas funções.
Desta forma considera-se, a hipótese segundo o qual “Os oficiais formados na Academia Militar “Militar Samora Machel”, contribuem positivamente no PEA na ESFA”, comprovada.

3.2.2.      O desempenho de funções de docência dos oficiais formados na AM contribui para a melhoria do PEA dos Sargentos na ESFA.

Verificada  uma unanimidade a qual se avalia em 100%  nas questões 3 e 4,  levantadas no ponto 4.1 (tabela 5 e 6) e foi fundamentada no ponto 4.2 (entrevista) na questão 3.  Apesar da questão 5 (tabela 7) do ponto 4.1, apontarem dois grupos de respostas devido a natureza da questão. 58%  apontou aspectos positivos que contribuem para o bom desempenho de funções e 42% apontou aspectos negativos.

O desempenho de função de docente é caracterizada pelos desafios na área do saber, o que se verifica nos oficias graduados na AM, o domínio na área académica faz com que estes oficiais tenham boas relações interpessoais com os educandos, de modo que o PEA seja articulado.

Para Libâneo (2006: 15) a função de docente é uma das modalidades especificas da prática educativa mais ampla que ocorre na sociedade, e para se compreender a sua importância é preciso considerar o conjunto de tarefas educativas exigidas pela sociedade, conhecimentos da teoria e práticas da educação, sendo a pedagogia a ciência da teoria e prática da educação,

O curso de formação de oficiais na AM não contempla a componente pedagógica, razão pela qual verifica-se um esforço e muita dedicação por parte destes oficiais ao desempenharem funções de docentes por saberem que não tiveram cadeiras pedagógicas.

Os oficiais que terminam a AM, buscam, na formação uma postura educativa e de comandante, este factor condiciona o seu modo de agir perante os formandos em aulas ou seus subordinados, esta postura exerce uma influência sobre os formandos e estes, ao assimilarem essas influencias, tornam-se capazes de estabelecer uma relação e transformação da formação militar.

Quanto aos aspectos negativos indicados por alguns chefes dos Ciclos, nem sempre o ambiente de trabalho é como desejamos, temos que lidar com inúmeras situações, vários tipos de opiniões, e por sermos tão diferentes um do outro as vezes temos uma desavença com um colega.

Para o Sr. Director Pedagógico estes aspectos tidos como aspectos negativos não obsta a progressão na carreira destes jovens oficiais, nem interferi no seu desempenho de funções que se diga relevante como foi enfatizadas por estes chefes de ciclo e acrescentou que estes aspectos negativos constata-se  devido a falta de uma doutrina comum entre os oficiais, as diferenças individuais, antiguidade na carreira sem ascender outros postos, envolvimentos passados e nas experiências de carreira.

Da observação feita pelo autor verificou que os oficiais formados na Academia militar, não vivem confinados ou isolados dos outros oficiais por sinais mais experientes na carreira, pode-se notar que eles tentam fazer as FADM em particular a ESFA o melhor ambiente para os sargentos em formação.

O sucesso destes jovens oficiais no exercício de função de docência é devido em primeiro lugar a cultura de aprender que foram incutidos durante os cinco anos de formação na AM, conhecimentos em diversas área do saber e o uso de tecnologias, e estão convencidos do valor do desempenho de suas funções e seu desejo é exercer cada vez melhor a profissão militar a que se dedicam.

Assim, a hipótese segundo a qual: “O desempenho de funções de docência dos oficiais formados na AM contribui para o melhoramento do PEA dos Sargentos na ESFA” ficou comprovada.

 

Conclusão

Após o estudo, conclui-se que o contributo dos oficiais formados na AM no PEA na ESFA, em Boane é notória, estes têm destaque cada vez mais crescente na formação dos sargentos, não só, mas também pelas ideias proactivas que estes jovens oficiais são portadores .
Para a Direcção Pedagógica da ESFA, os oficiais têm contribuído na uniformização e normalização dos princípios orientadores da doutrina usada nas FADM e a clarificação dos conceitos sobre a formação  técnico profissional militar.

A falta de oficiais, faz com que, em simultâneo desempenhem funções de docência e comando das tropas. A motivação dos sargentos em formação contribui para o melhoria do PEA a qual culmina com qualificação profissional dos sargentos para os quadros permanentes das FADM.

Embora pouco eficiente, devido a falta de experiência vivida na vida de oficialato, a contribuição destes jovens oficiais está a resultar muito no campo prático, teórico e noutras áreas do saber, estes não vivem confinados do meio militar, eles tentam fazer as FADM e particular a ESFA o melhor ambiente para os sargentos em formação. Estão convencidos do valor do desempenho de suas funções, e seu desejo é exercer cada vez melhor a profissão militar a que dedicam.

Pela pesquisa pode-se perceber que o docente não é o único agente da formação dos sargentos, a pesar destes oficiais estarem mais ligados na área de docência também estão inseridos em outras áreas, nomeadamente: chefes de gabinetes, comandantes de companhias, na planificação e no pessoal .

Tanto na área pedagógica assim como a de comando da ESFA os oficiais formados na AM têm um papel muito preponderante no exercício das funções  em prol da formação dos sargentos para os quadros permanentes das FADM.